MÚSICA

10/04/2012

Saldo da primeira edição do Lollapalooza Brasil foi positivo

Mais de 140 mil pessoas puderam aproveitar essa experiência musical criada por Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction

Por Rodrigo Ramos

O saldo da primeira edição do Lollapalooza Brasil foi positivo. Nos dois dias de show, 7 e 8 de abril, mais de 140 mil pessoas puderam aproveitar essa experiência musical criada por Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction, lá na década de 90. A criação é focada em trazer músicos de diversas sonoridades, não apenas em um bolo de artistas consagrados, mas promovendo atrações do cenário alternativo. Mas é claro que houve espaço para os headliners Foo Fighters e Arctic Monkeys, nomes que certamente foram o chamariz do evento.

 

Cage the Elephant

 

De modo geral, o Lollapalooza se deu bem por aqui. O Jockey Club foi o local perfeito. Bem localizado, com um acesso razoavelmente fácil, a beleza do local fica ainda mais interessante por estar no meio do contraste urbano, com diversos prédios ao seu redor, incluindo o vai e vem dos carros ao lado na rodovia, enquanto há também muitas árvores, grama, e por aí vai. O lugar também tem um espaço invejável, perfeito para um evento desse porte.

 

O Rappa

 

Houve atrações para diversos gostos. Divididos em cinco palcos, as atrações muitas vezes tocavam ao mesmo tempo, o que, de certa forma, não foi tão bom. Também havia o problema de querer um lugar mais perto dos shows dos headliners, e por isso muitos sacrificaram shows em outros palcos. Quem sabe numa próxima edição a organização coloque algum show que está rolando em outros palcos nos telões que ficam sem nada entre uma atração e outra.

 

Joan Jett and the Blackhearts

 

O público, em sua maioria, era formado por jovens adultos (até uns 25 anos) e adolescentes. Portanto, o evento conseguiu atingir essa parcela. Não faltou música eletrônica com Calvin Harris, Skrilexx (o melhor show do gênero no festival) e até o MGMT, esse, numa apresentação que pouco empolgou no segundo dia, embaixo de raios e trovões. Teve espaço para o rap (Pavilhão 9), rock nacional (O Rappa, Marcelo Nova, Velhas Virgens), e a fatia do rock/alternativo que dominou o evento. No sábado, Cage the Elephant, Joan Jett and the Blackhearts, O Rappa e Foo Fighters foram os destaques. TV on the Radio fez um show pra ninguém, onde pouquíssimos queriam saber; da mesma forma, o Band of Horses estava lá de coadjuvante. Enquanto isso, no domingo foi dia de Foster The People fazer um show bacana, conseguindo agradar o público que sabia muitas das músicas do único cd, Torches, o que surpreendeu claramente o vocalista Mark Foster. Jane’s Addiction foi o penúltimo do domingo, fazendo uma apresentação brega, chata e que incomodava tanto os olhos quanto os ouvidos. Por último, o Arctic Monkeys fechou o festival com um show redondinho e que deu mais ênfase no segundo disco, Favourite Worst Nightmare, de 2007.

 

Foo Fighters

 

O maior destaque da festa sem sombra de dúvida foi o Foo Fighters. Numa apresentação que durou cerca de duas horas e meia, David Grohl e sua galera não deixaram uma pessoa sequer sem vibrar, cantar, pular, gritar com todo o ar de dentro dos pulmões. O show foi apoteótico e mostrou porque a banda cresceu tanto no cenário do rock nos últimos anos, especialmente em 2011, com o lançamento do impecável Wasting Light, disco vencedor de cinco prêmios Grammy. Um frontman que olha pro público e se conecta com ele, e uma banda em sincronia que sabe muito bem como fazer barulho de qualidade. Mesmo com os problemas do cisto em sua garganta dando o ar de sua presença durante algumas músicas como “White Limo” e “Best of You”, isso não foi capaz de tirar o brilho da performance magistral e cheia de sensações.

 

Velhas Virgens

 

O festival, apesar de muitos acertos, também errou. Um dos focos dele era a preservação do meio ambiente. Apesar disso, faltou lixeiro pelo Jockey Club. Era necessário andar muito para encontrá-los. Em contrapartida, havia um grande número de banheiros químicos, fazendo com que houvesse pouquíssima fila para quem quisesse ir ao banheiro. Em se tratando de filas, assim como no Rock in Rio, a demanda da comida foi péssima. Novamente, os postos de comida eram poucos, não dando conta da procura, sem contar que só havia para consumir sanduíches com hambúrguer e hot dog esquentados no microondas, e por um preço absurdo.  Ou seja, muitas filas e insatisfação com o produto consumido. Problemas também surgiram no som, não muito bem ajustado em alguns palcos, como foi o caso do palco Cidade Jardim. Mas o pior de tudo foi a falta de organização da prefeitura de São Paulo em relação ao evento. Estive no Rio de Janeiro para o Rock in Rio e a cidade tinha ônibus especiais, horário extra de ônibus, organização da cidade, placas indicativas para apontar por onde e como ir para o evento, e por aí vai. Já em São Paulo, nada foi feito para o Lollapalooza. Não havia placas indicativas, nem ônibus extras, nem uma quantidade maior de trens de metrô. Um dos problemas foi a superlotação na estação de metrô Butantã, onde muita gente quis entrar e a polícia, sem um pingo de sutileza, fechou os portões a força.

 

Foster the People

 

Uma das grandes surpresas do festival, em questão de organização, foi a pontualidade dos shows, algo raro de acontecer. Dentre diversas apresentações, somente duas não começaram no horário previsto.

 

Jane's Addiction

 

O que se pode dizer, por fim, é que o público gostou do que viu e mostrou que não é preciso colocar somente artistas consagrados num evento para chamar a atenção. Uma grande atração pra cada dia foi o suficiente para instigar os paulistanos e tantos outros brasileiros a comparecer à primeira edição do Lollapalooza no país. Falta um pouco mais de organização, mas há tempo pra corrigir isso para uma próxima empreitada por aqui. Pois bem, seja bem vindo, Lollapalooza! Volte logo.

Em breve, resenhas sobre os shows de Foo Fighters e Arctic Monkeys.

 

Arctic Monkeys

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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