CINEMA

08/08/2012

'Elles' da diretora Malgorzata Szumowska, traz à tona discussões sobre o feminismo

Longa é para se assistir pensando, seja no encanto e precisão sublimes de Juliette Binoche seja nas questões políticas e sociais fundamentadas e construídas cena a cena

Por Gustavo Araújo

Elles (Elas em português) é o típico filme francês – apesar da descendência polonesa da diretora Malgorzata Szumowska - que acaba e ficamos nos perguntando “Mas e então?”. Com aquele aglomerado de informações que salpicam da tela para nossa mente e que, aos poucos, vão nos fazendo repensar nas intenções do roteiro por de trás de cenas brilhantemente desencaixadas que se encaixam perfeitamente, trata-se de um filme bom que passa uma mensagem interessantíssima e que pode não agradar as feministas mais conservadoras, assim como não agradou muito a critica especializada, já fica a dica.

 

                                           Imovision/divulgação

 

Num prefácio básico, o filme conta a história da jornalista Anne vivida pela brilhante Juliette Binoche.  E eu já tenho por mim que Juliette Binoche é sinônimo de bom filme. O enredo baseia-se num artigo que Anne tem que escrever em meio a um prazo apertado para a revista em que trabalha sobre a vida das garotas que se prostituem para pagar seus estudos e sobreviver na França atual e o preparo de um jantar para os patrões do marido. Assim, falando, parece uma espécie de “Bruna Surfistinha” sofisticado e falado em francês, só que não.

 

                                           Imovision/divulgação

 

Elles vai muito além de mostrar a vida das duas garotas de programa, Alicja e Charlotte, interpretadas pelas lindas Joanna Kulig e Anaïs Demoustier, que a jornalista entrevista e se envolve para fazer a sua matéria. O filme vai fundo numa questão extremamente delicada da posição social da mulher enquanto mãe, dona de casa, esposa, profissional, e todas as responsabilidades que isso acarreta e claro, seus hormônios e desejos.

 

                                           Imovision/divulgação

 

A libertação e independência feminina vêm pinceladas de todo o “sofrimento” causado pela sensibilidade que somente o “sexo frágil” – mas nem tanto assim – é capaz de evidenciar. Anne, ao entrevistar suas escolhidas, começa a repensar sua própria vida e sua posição como mulher dentro de sua casa e, principalmente, em seu relacionamento. Seus desejos, anseios e questionamentos são perpassados pelas experiências de suas entrevistadas e isso faz com que a jornalista se perca ou se encontre em si mesma... E isso, vai depender da sua posição (pessoal) em relação ao papel social da mulher.

 

                                           Imovision/divulgação

 

O filme traz a tona as discussões sobre o feminismo atualmente de forma paralela. É possível perceber que a diretora, quis passar em Elles as diversas concepções do papel da mulher enquanto ser social: aquela que deve estar para servir sua família, mas também aquela que sabe o momento de utilizar-se de um bom sapato e outros atributos relacionados à sua imagem para conseguir o que deseja e, também, o de uma mulher com um posicionamento mais radical em relação às situações que a colocam numa posição submissa em relação aos homens.

 

                                           Imovision/divulgação

 

Elles é um filme para se assistir pensando, seja no encanto e precisão sublimes de Juliette Binoche seja nas questões políticas e sociais fundamentadas e construídas cena a cena.

 

 

 

Elles
França/ Polônia/ Alemanha, 2011 – 110 min
Drama

Direção:
Malgorzata Szumowska
Roteiro:
Malgorzata Szumowska, Tine Byrckel
Elenco:
Juliette Binoche, Anaïs Demoustier, Joanna Kulig, Louis-Do de Lencquesaing, Krystyna Janda, Andrzej Chyra, Ali Marhyar, Jean-Marie Binoche, François Civil, Pablo Beugnet

 

 

 

 

 


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