CINEMA

11/08/2010

Psicose

Os 50 anos do clássico de Hitchcock

Por Rodrigo Ramos

Há exatamente 50 anos atrás, o gordinho careca, Alfred Hitchcock deu luz à uma de suas maiores criações. Se não é sua melhor obra, ao menos é disparada a mais conhecida. Psicose apareceu no início da década de 60. O estúdio não estava muito confiante e o diretor se viu com pouco dinheiro para fazer um filme. Foi necessário então uma boa ideia e muita criatividade para executá-la. Foi o que Hitchcock fez e conseguiu fazer uns dos longas mais tensos da História.

 

                    Paramount Pictures/Divulgação



O longa é baseado no romance de Robert Bloch, do qual Hitchcock comprou os direitos para poder utilizar em seu projeto. O diretor começou a genialidade a partir daí. Psicose tinha uma grande estratégia de marketing. Nos pôsteres e divulgação, Alfred pedia que ninguém contasse o final da película e que os cinemas impedissem que os expectadores entrassem nas salas depois do início da projeção. Tudo gerou um mistério e deixou as pessoas intrigadas. Talvez esse tenha sido um dos principais ingredientes que fizeram de Psicose um grande filme e também, um ótimo produto.

 

                      Paramount Pictures/Divulgação

 

A clássica cena do chuveiro é conhecida por todos. Quem não conhece a música criada por Bernard Herrmann? Se você não a conhece, acordou do coma ontem, pois não há explicação. Mas se engana quem acredita que Psicose é a dita cena. Alfred se preocupa com suas obras, em fazer o seu melhor em cada uma delas. Aqui não poderia ser diferente. Desde os créditos iniciais, ele já cria uma atmosfera tensa com a trilha sonora criada pelo já citado Herrmann. Na história, Marion Crane (Janet Leigh) é uma secretária que tem um caso com um homem e o que lhe falta é dinheiro. Então ela rouba 40 mil dólares do seu chefe e decide fugir para se casar. Com a impressão de que está sendo seguida, a loira começa a ficar invocada com qualquer passo na rua, qualquer carro que passe por ela.

 

                      Paramount Pictures/Divulgação



No meio de uma noite chuvosa, ela termina num motel afastado, onde poucos metros próximo dele, há uma casa assombrosa. O bondoso dono do lugar, Norman Bates (Anthony Perkins), a recebe e ela se hospeda por ali. Aos poucos o rapaz vai mostrando que é mais estranho do que parece ser e mora na tal casa com sua mãe, que é bem doente. Marion começa a temer quando ouve a mãe dele irritada com sua presença. O final da noite, como todo mundo já sabe, não termina muito bem, com a cena mais famosa do cinema.

 

                      Paramount Pictures/Divulgação



Hitchcock consegue fazer um trabalho único e que tem muitos elementos especiais. Ele é o único autor que já vi na minha vida a matar a protagonista do seu filme no meio da projeção. Para fazer isso, precisa ter coragem. Afinal, quem protagoniza qualquer obra, é por quem nós nos identificamos e torcemos de alguma forma. E ele simplesmente a mata! A partir daí, o que sobra é a investigação para descobrir quem assassinou Marion. Sua irmã (Vera Miles) é quem manda o detetive particular (Martin Balsam) cuidar do caso e ambos acabam visitando o local do crime.

 

                                                                          Paramount Pictures/Divulgação

 

A obra é conduzida com maestria e cria um clima de tensão do começo ao fim. A fotografia dá um toque intimista, enquanto a trilha sonora ajuda ao criar o clima, com aqueles toques de violino que dão arrepios na espinha. Hitchcock consegue deixar o expectador tenso e apreensivo. A cada cena, você pensa que o pior pode acontecer (e muitas vezes, acontece). O longa injeta o medo na sua veia e te deixa grudado na cadeira. A própria cena do chuveiro é um exemplo disso. Por mais que a conheça, vê-la no meio do filme ainda é agonizante. E só à título de curiosidade, o sangue artificial ali é, na verdade, chocolate.

 

                                                                             Paramount Pictures/Divulgação

 


O longa chega perto da perfeição. A narrativa é bem explorada e há mistério do início ao final. Depois da morte de Marion, há um pequeno declínio na trama, até conseguir chamar outros personagens para sustentar o longa, que perdeu sua protagonista. Por mais que este tempo seja curto, ele interfere. Pouquíssimo, porém. Hitchcock não deixa a coisa se perder e cria um clímax aterrorizante e que resulta num dos finais mais surpreendentes do Cinema. É compreensível a razão do diretor pedir encarecidamente que ninguém o contasse.

 

                                                                   Paramount Pictures/Divulgação


Psicose é uma grande obra do suspense, talvez um dos melhores (se não o melhor deles) exemplares do gênero. Um trabalho da época em que gênero não era prostituído e tinha mais respeito. Hitchcock mostra toda sua competência e deixou um exemplar que é copiado mesmo depois de 50 anos de seu lançamento. Merece ser visto e revisto. É um deleite.

 

Confira o trailer

 

 

 

 

Psycho
EUA, 1960 - 109 min
Suspense

Direção:
Alfred Hitchcock
Roteiro:
Joseph Stefano
Elenco:
Anthony Perkins, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire, Janet Leigh

 

 


blog comments powered by Disqus


2012

Janeiro
Fevereiro

2011

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

2010

Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

Mi casa, su casa: como receber amigos em uma festa sem stress

Culture-se dá as dicas de como fazer o seu open house de uma forma prática e simples

'Gabriel Querubim e os Guardiões dos Sonhos' é uma aventura repleta de mistérios e fantasias

Livro foi inspirado na música Aquarela, composição de Toquinho e Vinicius

Revista Dansk celebra o décimo aniversário de moda, arte e cultura

Para as capas, a inspiração veio do impressionismo, com a reinterpretaçãoo de Freja Beha por Christian Brylle e de Juliane Gruner por Aitken Jolly

Christian Dior: Haute Couture Spring/Summer 2012

Bill Gaytten mostrou uma belíssima coleção Couture que deixaria Monsieur Dior bastante orgulhoso

O Rock no Brasil não morreu! Hoje ele vem do Ceará! É Rock, barão!

Daniel Groove e O Sonso mostram que o gênero continua vivo!




Política de Privacidade | Sobre | Anuncie | Contato | Copyright © 2012 culture-se - Todos os Direitos Reservados.