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TV

11/08/2010

Glee: surpresa da temporada

Primeira temporada disponível em DVD e Blu-Ray

Por Rodrigo Ramos

A maior surpresa desta temporada com certeza foi Glee. Não há pessoa que acompanha o mundo dos seriados que não tenha ouvido falar na série musical que virou tendência na cultura, dando uma nova roupagem à antigas canções (e outras mais novas também), com uma pitada de humor e um estilo até então único. Pelo menos, quando se trata de um programa de televisão. Por ser tão diferente, Glee tem ganho atenção do público e de premiações. Devido a estes fatores, me arrisquei a acompanhá-la.

 

                                                           Fox/Divulgação



O primeiro conselho que dou é o seguinte: se você não curte musicais, NÃO assista. Não adianta, você perderá seu tempo com isso. O segundo é: saiba que é uma série bem light e em alguns momentos apelam para situações um tanto quanto forçadas. Bem colégio mesmo, com personagens um tanto quanto irritantes. Estes são os avisos prévios. Agora eu começo de verdade.

 

                                                                                        Fox/Divulgação



Glee começa com Will, um professor que estudara no colégio onde leciona e participara de um grupo de canto. O Glee Club havia sido extinto e o sonho dele é reabri-lo. Ele tenta chamar adolescentes que queiram fazer parte e somente os perdedores da escola decidem entrar. Aos poucos ele vai aumentando e o pessoal vai se encaixando. Ou não. A protagonista é Rachel, a garota que tem como sonho maior ser uma estrela e deposita todas as suas forças nesta crença. Ela promete à si mesma, fazer de tudo para conseguir o que quer. Ela é apenas uma das pessoas ali que tem um sonho e é dentro do clube que todos tentarão realizá-los. Assim como Finn, Quinn, Mercedes, Artie, etc.

 

                          Fox/Divulgação

 

Para impedir que o clube se dê bem, temos Sue Sylvester, a treinadora das cheerleaders. Com seu humor negro e singular, ela tenta de todas as maneiras possíveis destruir as chances dos jovens e os planos de Will, sejam lá quais forem. Will, por sinal, é casado, porém passa por problemas no seu matrimônio. E ainda por cima, ele encontra-se apaixonado pela orientadora do colégio, Emma.
 

Um dos probleminhas que o seriado tem é a agilidade para resolver um problema. Em cada episódio, as coisas acontecem numa rapidez que não faz muito sentido. Num mesmo episódio Will sai com três mulheres; April aparece e já sai no mesmo episódio; o pai de Kurt mal começa a namorar com a mãe de Finn e já se mudam; Rachel termina com um garoto e já está namorando com outro, entre outras coisas. São ações muito imediatas e que de certa forma, são forçadas demais para encaixar nas sequências das quais os roteiristas precisam. Alias, os personagens são, em alguns momentos, caricatos demais.
 

 

                           Fox/Divulgação


No quesito musical, o seriado é muito competente. Os arranjos para as canções são, em sua maioria, muito bons. Os atores tem uma boa voz, porém é ai que eu encontro outro problema. Há episódios que a entonação é perfeita, mas como todas as canções são playbacks, há músicas das quais percebe-se claramente que eles não estão ali cantando. O que dá uma impressão de plasticidade, o que não ajuda. Mas no geral, é um bom trabalho. As letras das canções interpretadas geralmente auxiliam a contar a história, condizendo com o que está rolando no episódio. As canções vão de Kiss a Lady Gaga, Olivia Newton-John a U2, Van Halen a Jennifer Hudson, Beck a Madonna.

 

                                                   Fox/Divulgação

 

Os números musicais são muito bem coreografados e é um deleite no seriado. Porém não é só de música que sobrevive a série. Afinal de contas, nós temos personagens e eles têm importância, caso contrário, não haveria uma série, apenas muitos videoclipes. A história trabalha bem aquela coisa da busca por um posto de popularidade. É uma realidade que acontece diariamente, afinal de contas, a vida é um eterno concurso de popularidade e beleza. Esta é a premissa que vai se expandindo, mas jamais sendo colocada de lado. O programa fala muito também sobre preconceito e aceitação. Em um dos episódios, a briga entre o pai de Kurt e Finn é tensa e proporciona um dos momentos mais fortes da temporada.
 

                                                    Fox/Divulgação

 

Além de tudo isso, Glee ainda mistura num panelaço um bom humor, com pitadinhas de humor negro. Não é nada muito ousado, até porque o seriado é um High School Musical da vida, só que melhor escrito, com bons atores e uma temática um pouco mais adulta, mas não muito. Ver as crueldades com os alunos é um prazer que nos deixa mal por achar aquilo engraçado. Mas são as palavras e atitudes de Sue Sylvester, interpretada brilhantemente pela ótima Jane Lynch, que dão um brilho a mais para Glee. Ela é a coadjuvante de luxo e quando aparece em cena, a rouba e faz tudo ficar deliciosamente sarcástico. Sem ela, o seriado não teria a mesma graça. Sua interpretação faz com que o público goste dela, ao mesmo tempo que a odeie.

 

               Fox/Divulgação


 

Glee é uma série original e que traz bons momentos. Por ser novo e apostar numa fórmula da qual ninguém havia apostado ainda pra televisão, ela ganha sucesso e admiração. Entre o caminho das Seletivas e das Regionais, nota-se uma evolução no grupo técnico inteiro, o que é um bom sinal. Mostra que na segunda temporada, a série promete ser melhor e corrigir as falhas que apresenta aqui. O season finale é uma prova de que é só questão de tempo até a série amadurecer. O último episódio, por sinal, é o melhor da temporada e não nos entrega algo clichê. Sério. É uma boa ideia que é bem aplicada, só precisa de um pouco mais de experiência. Vamos acompanhar de perto, portanto.


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