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CINEMA23/08/2010SaltAngelina Jolie em ação novamentePor Rodrigo Ramos As décadas de 80 e 90 foram repletas de filmes estadunidenses que utilizavam as telas do cinema para rotular os soviéticos e russos como os vilões da humanidade. São diversos títulos que carregam vilões da União Soviética, em nome da Guerra Fria. Desde Duro de Matar até Indiana Jones. Hoje em dia não é tão comum utilizar as figuras socialistas para mostrar que a ideologia política é do mal e que os países capitalistas é que são soberanos e bonzinhos. Porém, o novo filme de Phillip Noyce traz novamente essa prática.
Columbia Pictures/Divulgação
Noyce é craque em fazer policiais. É dele O Santo, Jogos Patrióticos e O Colecionador de Ossos. Em Salt, ele mostra que não perdeu a mão, pois em quesito ação, o longa não deixa a desejar. Salt é uma espécie de A Identidade Bourne, só que o protagonista aqui é uma mulher. Não é só nisso que este longa se difere da cinesérie encabeçada por Matt Damon. Enquanto nos filmes de Bourne sobra inteligência e perspicácia, o longa estrelado por Angelina Jolie peca exatamente neste quesito, mostrando-se um filme estranho em certos aspectos e com pouca criatividade, se tornando óbvio logo nos primeiros 30 minutos de metragem.
Columbia Pictures/Divulgação
Apesar dos apesares, Angelina Jolie se encontra na personagem e casa perfeitamente com o papel, na sua segunda parceria com o diretor. Evelyn Salt é o tipo de heroína de ação da qual a Sra. Pitt gosta de interpretar. Talvez os melhores papéis da atriz sejam mesmo quando ela se encarna para bater e apanhar. Uma performance sólida e consistente. Salt é um filme que funciona, especialmente, porque tem Jolie como protagonista. Se formos analisar, ultimamente os longas não se preocupam muito com o roteiro e se salvam do limbo por causa do carisma e competência de seus protagonistas. Um exemplo recente é Encontro Explosivo, além do próprio longa de Noyce. A indústria mostra-se não muito interessada em contar boas histórias e quem é punido com isso é o espectador, o amante da sétima arte.
Columbia Pictures/Divulgação
A trama do longa começa lá na Coréia do Norte. A protagonista está sob tortura pois acreditam que ela seja uma espiã. Naquele caso, ela é. Seu marido luta para que consigam fazer uma troca e resgatá-la. Alguns anos se passam e ela está vivendo sua vida normalmente na sua agência federal. Até que um dia aparece um camarada russo. Ele não quer falar com ninguém, mas resolve abrir o bico com ela. Na frente de todos os policiais, o senhor diz que há um espião dentro da agência e que se chama Salt. No caso, uma espiã. Ou seja, ela própria. Os demais agentes começam a desconfiar de Evelyn, que para piorar sua situação, foge deles. Começa então, uma caça de gato e rato. A polícia está atrás dela, enquanto ela tenta provar sua inocência. Ou não.
Columbia Pictures/Divulgação
As cenas de ação são realizadas com muito esmero e são o ponto forte desta produção. A câmera ágil de Noyce dá o tom certo para a ação que ocupa grande parte da projeção. Ele sabe dirigir este tipo de filme e o faz muito bem. Ponto positivo. Jolie segura bem as cenas. Sua personagem apanha e bate de verdade. O roteiro, originalmente, foi feito com um protagonista masculino no script. Tom Cruise deveria estrelar a produção, mas ele desistiu e entrou Angelina. Houveram modificações no roteiro, porém ainda permaneceu a figura durona. Isso é bom, pois não há uma aliviada só porque ela é uma mulher.
Columbia Pictures/Divulgação
Em compensação, o roteiro tem suas falhas. Houve uma preocupação maior em arrumar o personagem central e se esqueceram de costurar melhor o próprio enredo. Durante o longa, presencia-se algumas reviravoltas. No entanto, elas fazem o longa não caminhar tão bem. É um pouco confuso, talvez até ilógico. Já o desfecho do longa consegue ser em partes óbvio e esquisito. E que final pretensioso hein. Deveriam ter deixado os russos em paz, definitivamente. Novamente aquela moral de que os russos tem ódio (geralmente, sem uma justificativa plausível) dos Estados Unidos e querem atear fogo no país inteiro. Acho que todos já estão cheios disso.
Columbia Pictures/Divulgação
Salt é um longa que tenta utilizar muita esperteza, mas sofre por não conseguir ter êxito em sua tentativa. O problema não é Jolie. Como já havia dito, neste tipo de película, quem salva é justamente quem protagoniza o filme, pois se dependesse do roteiro, ficaria devendo. Se não serve para botar o cérebro para funcionar, ao menos há adrenalina e a beleza da Sra. Pitt, que bota pra quebrar. Literalmente. E o resto é resto.
Confira o trailer:
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