MÚSICA

25/08/2010

Uma noite em 67

Os bastidores do Festival que revolucionou a MPB

Por Mariana Campos

Ninguém podia imaginar que aquela noite marcaria tão intensamente as próximas gerações, mas o fato é que a final do III Festival de Música Brasileira da TV Record, realizado em outubro de 1967 deixou um dos maiores legados para a música popular brasileira. E esse momento histórico, político e sociológico é retratado no documentário “Uma noite em 67”, de Ricardo Calil e Renato Terra.

 

                 Divulgação

 

O filme combina imagens antigas registradas pelo programa com depoimentos atuais dos jurados, produtores, organizadores e artistas participantes, além de mostrar na íntegra as apresentações marcantes dos vencedores. Impossível não se emocionar e cantar junto ao assistir às brilhantes performances de Edu Lobo, Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes.

 

                      Wilson Santos/CPDoc-JB

 

Numa época de repressão causada pela ditadura militar a população encontrava neste tipo de evento uma maneira de se distrair e assim lotavam os estúdios da rede Record. Exigente, e até um pouco intolerante, o público reagia às apresentações com tamanha intensidade que acabava se tornando um show à parte. Um bom exemplo disso foi a tentativa do cantor Sérgio Ricardo apresentar seu samba ‘Beto Bom de Bola’. Após as vaias incessantes ele não só desistiu de cantar como quebrou o violão e atirou-o à plateia ensandecida.

 

 

                   Wilson Santos/CPDoc-JB

 

O documentário mostra a importância e a força que o Festival de 67 teve para o Brasil. Músicas como Ponteio (canção vencedora do prêmio), Roda Viva, Domingo no Parque, Alegria, Alegria, executadas pela primeira vez sob arranjos inusitados e muito bem feitos, entraram para a história como as mais belas e inovadoras composições da música brasileira de todos os tempos.

 

 

                 Wilson Santos/CPDoc-JB

 

O comportamento vanguardista dos artistas também é uma das coisas que mais chama a atenção no documentário. Em matéria de estilo e inovação, os ‘bons moços’ Edu Lobo, Roberto Carlos e Chico Buarque com seus smokings e cabelos penteados foram desbancados pela atitude e roupas psicodélicas adotadas por Caetano, Gil, Rita Lee e os Mutantes, que conseguiram incendiar o público trazendo misturas inéditas de música nacional com guitarras elétricas, que na época eram vistas com maus olhos pelos nacionalistas por serem consideradas símbolo da ‘invasão americana’. Essa era só uma semente do que viria a ser outro movimento que marcou época: a Tropicália.

 

 

                Wilson Santos/CPDoc-JB

 

Um misto de riso e choro atinge quem assiste, ao ver seus ídolos no começo da carreira, cantando baixinho os sucessos que até hoje as novas gerações sabem na ponta da língua. Porém, o sentimento de nostalgia aparentemente se restringe ao público. Alguns ícones do festival e da MPB como Chico, Caetano e Gil mostram que seguiram em frente e parecem encarar aquele momento apenas como mais uma fase, longínqua, de suas carreiras, da qual não fazem tanta questão de recordar. Talvez fossem jovens demais para pensar na dimensão e no impacto que suas atitudes causariam. Tudo o que buscavam era liberdade para fazer suas músicas e se divertir.

 

Confira o trailer:

 

 


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