ARTE

27/08/2010

Keith Haring

São Paulo e Rio recebem as obras do artista

Por Fabiana Langaro Loos

Até o dia 5 setembro de 2010, a Caixa Cultural São Paulo e entre 28 de setembro e 14 de novembro a  Caixa Cultural do Rio de Janeiro, recebem a exposição “Selected Works”, com obras inéditas no Brasil do artista norte-americano Keith Haring que, aos 31 anos de idade, deixou nosso mundo devido a complicações decorridas da aids, mas sua obra permanece entre nós, repleta de força, vida e cor. Entre 1976 e 1978 estudou design gráfico em uma escola de arte de Pittsburgh e, mais tarde, em Nova Iorque, na School of Visual Arts. Porém, o artista começou a se tornar conhecido ao pintar grandes painéis em estações do metrô de Nova Iorque, amigo de Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat, Keith Haring era muito rápido no traço, utilizava linhas simples e tinha como referência o grafite dentro da arte moderna dos anos 80.

 

                ©Keith Haring Foundation

Amigo de Andy Warhol, mas ao contrário de Andy sempre às avesas com a notoriedade, Haring abriu sua loja de camisetas, bottons, desenhos e logotipos e vendia seus artigos a preços baixos.
 

Keith Haring pintou o corpo de Grace Jones para o filme Vamp e para o clipe de “I’m Not Perfect (But I’m Perfect for You)”, foi amigo de Madonna e agraciado por outros famosos, participou das campanhas da vodca Absolut e dos relógios Swatch, seus desenhos estamparam camisetas, lojas, estúdios, grandes murais e lugares públicos. Mas ganhou o mundo por apresentar um trabalho acessível e democrático, dedicando-se a uma arte expressamente coletiva.

 

 

A popstar Madonna usou gráficos de Keith Haring no vídeo de Into The Groove durante a turnê Sticky & Sweet Tour.

 

A exposição “Selected Works” tem curadoria de Sharon Battat e logo na entrada é possível ler um belo texto que revela um pouco de Keith Haring, mas sua obra é seu espelho e nela conseguimos observar relações com suas etapas de vida, a alegria, a tristeza, a dor e os questionamentos, nas quais são revelados conceitos sobre amor, guerra, sexo, nascimento e morte. Além das obras, objetos pessoais de Keith, como tênis, skates, cartas e fotos, estão presentes na mostra, assim como dois documentários da vida do artista, “Drawing the line” e “The Universe of Keith Haring”, dirigidos respectivamente por Elisabeth Aubert e Chistina Clausen. Infelizmente, a exposição não pode ser fotografada, nem mesmo sem a utilização de flash. Uma pena, pois suas cores vibrantes nos contaminam ao primeiro olhar.

 

“Best Buddies”, 1990 ©Keith Haring Foundation

 

Ao visitar a exposição, recheada por 94 obras, podemos observar o processo de criação de Keith, seu engajamento social, assim como sua relação com o Brasil, que visitou diversas vezes, inclusive participando da Bienal de São Paulo no ano de 1983. Ícone da pintura underground oitentista, Keith Haring participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, divulgando sua arte para um grande número de pessoas, atingindo assim, alguns de seus maiores desejos, a socialização da arte, os diversos olhares, a arte nas ruas, o artista de todos.

 

 

A exposição “Selected Works” é dividida por partes, a fase “Popshop”, que contém pinturas em séries, inicialmente vendidas por 50 centavos, em sua loja em Manhattan (a Pop Shop), hoje, atingem mais de 5 mil dólares cada uma. A história do vermelho e do azul (“The history of red and blue”) com desenhos originais feitos para os filhos do galerista Hans Mayer, muitos deles nem assinados, pois a impressão de alguns trabalhos não foi finalizada até sua morte e são apenas identificadas pela marca d`água do artista. “The blueprint series”, contendo 17 desenhos, os primeiros feitos com tinta Sumi (uma tinta especialmente formulada para sombreado) em papel vegetal e, posteriormente, com cópias reproduzidas. A fase “Apocalypse” que contém seu primeiro trabalho feito em parceira com Willim Burroughs, um artista americano famoso por trabalhos de colagens e o espaço de arquivo pessoal.

 

©Keith Haring Foundation

 

Não há como não se impressionar com a simplicidade das formas e com a profundidade das cores e, principalmente com a mensagem implícita, ou melhor, bem explícita, em todos suas trabalhos, na qual não estamos sozinhos nesse mundo, há uma conectividade para tudo e para todos, amor e ódio, vida e morte, alegria e dor. A determinação em prol das boas causas, lutando contra males como o crack, o apartheid e a aids. Mesmo vinte anos após sua morte, os desenhos de labirintos, os cachorros estilizados, os bonecos que dançam, os homens de paus eretos, as pirâmides com discos voadores e as grávidas nos fazem pensar que a vida em comunidade, em uma sociedade harmônica e pacifista, ainda é o melhor caminho. Um mundo de Ketih Haring para chamar de seu.

 

A Fundação Tommy Hilfiger e a Fundação Keith Haring vem  desenvolvendo e dando suporte a projetos de parcerias que visam a construção de uma sociedade civil mais saudável, apoiando educação, o bem estar físico e alguns programas culturais. A parceria entre as duas fundações gerou a criação de uma coleção limitada com tênis e botas de chuva femininos, masculinos e infantis, com estampas da obra de Keith Haring.

 

Exposição Keith Haring – Selected works

 

São Paulo

Quando: entre 31 de julho e 5 de setembro

Onde: Caixa Cultural – Av. Paulista, 2083

Quanto: entrada franca

Informações: (11) 3321-4400

 

Rio de Janeiro

Quando: entre 28 de setembro e 14 de novembro

Onde: Caixa Cultural – Av. Almirante Barroso, 25

Quanto: entrada franca

Informações: (21) 2544-4080

 


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