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TEATRO30/08/2010A vida como ela éDrama de Nelson Rodrigues em CuritibaPor Rodrigo Ramos Certa vez estava em meu Twitter e eu vi na home page uma tuitada muito inteligente. “O cinema 3D já existe há muito tempo, é o teatro”. Esta citação, de autor que desconheço, é puramente verdadeira. A sensação de estar no escuro completo antes de iniciar uma peça, é um sentimento revigorante. Ver as pessoas no palco, praticamente dialogando com você, expressando aqueles sentimentos diante dos seus olhos, naquele momento, é algo soberbo. O teatro me conquistou. Ou melhor, Nelson Rodrigues o fez.
Elenize Dezgeniski
O Grupo Delírio Companhia de Teatro é quem dá vida em mais uma adaptação da obra para os palcos. Com direção e adaptação de Edson Bueno, A Vida Como Ela É proporciona várias sensações ao espectador. Da mesma forma que Rodrigues gostaria, a apresentação consegue chocar. Não é demasiadamente violenta nem tão explícita, porém as verdades da vida podem simplesmente incomodar os desavisados. O elenco da peça é excelente e está harmônico em cena. É incrível como um complementa perfeitamente ao outro. Sem contar as mudanças de personalidade quando precisam interpretar outro personagem, que é o caso de todos ali presentes, exceto Tiago Luz, que só representa Roberto.
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A direção é feita com precisão. Não sou um craque em se tratando de teatro, mas Edson Bueno escolheu bem seus atores, que dão um show no palco. Eles dão conta de vários personagens, expressam-se com muita eficiência, além de terem um quê de comédia em suas veias. Em algumas oportunidades, sai até piadinhas e improvisos. Em determinada cena, um dos personagens vai acender o cigarro e o outro diz: “Melhor não fazer isso, senão o Requião (atual governador do Paraná) vai vir aqui cobrar multa”, se referindo à lei que proíbe a fumaça de cigarro, charutos, etc. em locais fechados. A iluminação também é primordial na encenação. Os jogos de luzes são tão importantes quanto qualquer figura ali representada.
Elenize Dezgeniski
Apesar de ser um retrato cru e agressivo, um verdadeiro julgamento da sociedade, Rodrigues dá uma lição de dramaturgia, através das belas performances e da ótima adaptação. A condição do ser humano é hedionda. Morrer de amor é utópico. Esta obra é cheia de profundidade, sentimento e sem pudor algum. Uma ótima forma de conquistar aquele que ainda encontra muita graça no teatro. É uma verdadeira loucura, uma piração, exatamente a vida como ela é de fato. A peça continua em cartaz em Curitiba, no mesmo local, até próximo domingo, dia 5 de setembro. As sessões acontecem de quarta a sábado, às 21 horas e no domingo, às 19 horas.
A Vida Como Ela É - Nelson Rodrigues
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