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PENSATA

01/09/2010

Sex and the City e as teorias de consumo e indústria cultural

Série é um produto que já nasceu com grande apelo comercial com personagens que representam as transformações das mulheres no século XX

Por Paulo Henrique de Moura

No dia 6 de junho de 1998 foi ao ar nos EUA o primeiro episódio de Sex an the City, seriado anunciado como o Seinfeld das mulheres. Não era bem isso, mas, assim como a de Seinfeld, a história se passava em Manhattan, tinha quatro protagonistas diferentes entre si, solteiras, com trinta e poucos anos e ótimo senso de humor. Baseada em um livro com o mesmo nome de Candace Bushnell, foi originalmente transmitida pelo canal HBO, de 1998 até 2004. A série é um típico produto massivo representado pelas marcas e pela obsessão pelo consumo. É um produto que já nasceu com grande apelo comercial com personagens que representam as transformações das mulheres no século XX.

 

                 Warner Bros/Divulgação

 

Vivemos numa sociedade onde as relações de produção são predominantemente capitalistas, tudo o que se produz nela é feito dentro de uma lógica capitalista de produção. A Indústria Cultural é a cultura de massa, produtos, revistas, a comunicação em si voltada a massa. Tudo que é encaixotado para ser consumido de forma descartável.

 

              Warner Bros/Divulgação

 

Um exemplo disso é o cinema, que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte que gerava reflexão tanto política quanto social, hoje se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, o de portadora de uma ideologia dominante nos MCM (meios de comunicação de massa) que apenas se desenvolve pela necessidade frenética por patrocinadores desta formação doutrinadora.

 

                Warner Bros/Divulgação

 

As quatro protagonistas de Sex and the City lançaram moda, viraram referência do público feminino e mudaram a forma como a televisão e a sociedade via a mulher moderna, principalmente as solteiras. Além das influências no comportamento, as personagens da série também exercem influências no consumo: Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte usam grifes como Dior, Chanel, Manolo Blahnik, Jimmy Choo, Louis Vouitton e Vivienne Westwood durante todo o seriado causando influência direta nas telespectadoras que desejam ter os mesmos produtos e freqüentar os mesmos lugares badalados da Big Apple.

 

                 Warner Bros/Divulgação

 

Portanto, se a Indústria Cultural está intimamente relacionada a Comunicação de Massa, Sex and the City seria somente uma maneira de fazer com que as mulheres passassem a consumir as marcas citadas acima? Depende, para alguns é só entretenimento. Existem os indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente, de refletir, de opinar sobre as situações político-sociais da sociedade contemporânea que não se deixam levar pelas artimanhas da Indústria Cultural.

 

           Warner Bros/Divulgação

 

Sex and the City já nasceu com grande apelo comercial. Durante o primeiro filme, é realizado um ensaio para a VOGUE América com a personagem de Sarah Jessica Parker, a jornalista Carrie Bradshaw, que envolvia marcas como Vivienne Westwood, Christian Lacroix, Dior, Vera Wang, Oscar de la Renta e Carolina Herrera. As marcas são citadas durante todo o filme. Roupas e acessórios de estilistas famosos acabaram se tornando personagens da série. Para se ter idéia o computador de Carrie Bradshaw é um Macbook. Cada vez que Carrie aparece usando o computador a cena é enquadrada de maneira que a logo da Apple apareça.

 

             Warner Bros/Divulgação

 

Segundo Theodor Adorno, na Indústria Cultural, tudo se torna negócio. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. É importante lembrar que para Adorno o homem nessa Indústria Cultural não passa de um mero instrumento de trabalho e de consumo, ou seja, um objeto que alimenta esses interesses.  As pessoas são tão bem manipuladas que até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho.

 

           Warner Bros/Divulgação

 

Sex and the City prepara as mentes femininas para um esquema que é oferecido pela indústria da cultura através dos conselhos de moda de Carrie Bradshaw, que aparece para os seus consumidores (telespectadores) como um “conselho de quem entende”. O consumidor não precisa se dar ao trabalho de pensar, é só escolher. Esta é a principal artimanha usada pela Indústria Cultural. Se existisse uma cultura que ensinasse a pensar, raciocinar e opinar, geraria um consumidor mais exigente, tornando mais difícil a atuação da indústria que manipula esses interesses.

 

             Warner Bros/Divulgação

 

Fica claro, portanto, a grande intenção da Indústria Cultural: obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente, daqueles que são formadores de opinião. Ela é a própria ideologia de tornar os indivíduos mais ignorantes e fúteis, tornando-as vulneráveis a manipulação dos Meios de Comunicação de Massa. Os valores passam a ser regidos por ela. Até mesmo a felicidade do individuo é influenciada e condicionada por essa cultura.

 

          Warner Bros/Divulgação

 

A partir destes valores podemos verificar que a Indústria Cultural busca proporcionar necessidades ao homem. Mas, não aquelas necessidades básicas para se viver dignamente (casa, comida, lazer, educação, e assim por diante) e sim, as necessidades do sistema (consumir incessantemente), como é o caso das marcas, produtos de beleza e lugares retratados na série. O que a Indústria Cultural busca é criar uma dependência destes bens de consumo. Com isso, as pessoas viverão sempre insatisfeitas, querendo constantemente consumir.

 

                Warner Bros/Divulgação

 

A comunicação de massa vem evoluindo incrivelmente nas últimas décadas e assim vemos novas oportunidades de exploração da sociedade, do consumo e ao mesmo tempo vemos mercados desaparecendo. A Indústria Cultural cria novas oportunidades de exploração para novos mercados antes inexplorados, ou até a criação de novos mercados consumidores. Mas ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades, a Indústria dos bens de consumo diminui muitas das antigas qualidades culturais que eram consumidas pela população. Um grande exemplo disso é a diminuição da leitura de livros por parte dos consumidores com a criação do rádio, da televisão, da internet e do cinema.

 

              Warner Bros/Divulgação

 

Esta indústria tem como tática fazer com que o novo seja visto e aceito como moda, por meio da reprodução técnica em série. O objetivo dos produtores não é fazer com que os artefatos tenham qualidade e durabilidade, mas sim lhes agregar valor mercadológico, ou seja, seguindo os padrões do sistema capitalista.

 

              Warner Bros/Divulgação

 

Para se ter uma idéia, atualmente filmes reflexivos são encarados como "de mau gosto", mesmo tendo grandes qualidades tanto nas atuações quanto na ideologia passada. Para concluir, a Indústria Cultural está alimentando as pessoas de lixo cultural cada vez mais, causando uma alienação das grandes massas, deixando de lado a "boa cultura" por assim dizer.

 


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