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CINEMA

03/09/2010

O Último Mestre do Ar

Adaptação de Avatar – A Lenda de Aang decepciona

Por Rodrigo Ramos

“Eu vejo gente morta”. Esta frase é épica do cinemão hollywoodiano. Em O Sexto Sentido, Bruce Willis, Haley Joel Osment e M. Night Shyamalan impressionaram o mundo inteiro e criaram uma campanha digna de Hitchcock sobre o filme. Ali surgia para o globo inteiro ver um diretor e roteirista talentoso. Alguns anos depois surgiram Corpo Fechado e Sinais. Mais dois gols bonitos de Shyamalan. A partir de então, o diretor começou a descer ladeira abaixo. A Vila dividiu opiniões, enquanto A Dama na Água e Fim dos Tempos selaram o destino de Shyamalan, tratado como piada pela indústria desde então.
 

                   Paramount Pictures/Divulgação

 

O Último Mestre do Ar traz algumas curiosidades consigo. Este é o primeiro filme longe do gênero suspense com o qual o indiano costuma trabalhar. Além disso, essa é a primeira produção da qual não parte de uma ideia original sua, a primeira adaptação dele. O longa é baseado na série animada Avatar – A Lenda de Aang, que possui uma legião de fãs ao redor do mundo, inclusive no Brasil. É possível que a empreitada tenha sido aceita pelo indicado ao Oscar, justamente para reabilitar a sua vida cinematográfica. Por incrível que pareça, o longa se deu bem nas bilheterias, enquanto os críticos, na sua maior fatia, massacraram a produção. E acredite, com muito fundamento.

 

                   Paramount Pictures/Divulgação

 

Inicialmente intitulado de Avatar, o título teve de ser modificado por causa da produção de James Cameron. O longa levou mais algumas semanas para estrear nos cinemas por causa da conversão em 3D, algo que se tornou tendência no mercado. Com título do desenho ou 3D, não muda o fato de Shyamalan criar um fiapo de roteiro que não se sustenta, é cheio de pequenas falhas e tem uma narrativa monótona, quebrando todas as barreiras do tédio. O texto do indiano é chato, pretensioso e socado de frases de efeito das quais não surtem efeito nenhum nos apreciadores de um bom filme. Além de dar vida à personagens piegas e sem nenhum carisma.

 

                Paramount Pictures/Divulgação



Não serei injusto. O longa tem coisas boas. Primeiro: os efeitos especiais. Eles estão caprichadíssimos e fica difícil imaginar como Shyamalan, que nunca fez nada do gênero, conseguiu injetá-los desta maneira bem efetuada em sua película. Segundo: acompanhando os efeitos visuais, temos as coreografias. As artes marciais, praticadas juntamente com os golpes, também são muito bem trabalhadas. O treinamento do núcleo valeu a pena neste sentido. Os pontos positivos estacionam aí mesmo. Fora estes dois quesitos, a produção erra em todo o resto.

 

                 Paramount Pictures/Divulgação

 

A história se inicia quando no meio de uma caminhada, Katara (Nicola Peltz) e seu irmão mais velho, Sokka (Jackson Rathbone) encontram no meio de uma pedra gigante de gelo e água Aang (Noah Ringer), juntamente com um animal gigante. Eles acabam descobrindo que ele é o Avatar, o único ser capaz de controlar os quatro elementos da natureza: ar, água, fogo e terra. Porém, é lógico, há pessoas que querem usar o Avatar de um jeito maléfico. Ou não. Só o querem, sem mais intenções. Zuko (Dev Patel, de Quem Quer Ser Um Milionário?) é filho exilado do Senhor do Fogo, Ozai (Cliff Curtis) e para conseguir o respeito de seu criador novamente, ele parte em busca do garoto. O Reino do Fogo quer destruir todos os demais reinos e os controladores de elementos. O único sujeito capaz de impedir tal objetivo é Aang, que esteve adormecido durante 100 anos, depois de fugir de suas responsabilidades como o Avatar.

 

                   Paramount Pictures/Divulgação



Os elementos que compõem o longa são mal sucedidos. Desde o roteiro fraquíssimo até a direção lenta de Shyamalan, mostrando porque ele nunca dirigiu um filme de ação anteriormente. Agora você sabe o porquê. As lutas abusam de giros e câmeras lentas fazendo com que o espectador fique enjoado. Sem contar que não há nenhum pingo de adrenalina nas ditas cujas. Definitivamente, o gênero ação não é para ele. Não é somente na ação que o filme deixa a desejar. A história é mal contada, insossa, além de ter um elenco inexpressivo. O novato Noah Ringer não convence. O fato de todo o elenco ser desconhecido também não agrada e as interpretações do grupo causam antipatia. Parece que ninguém se esforça e as atuações parecem plásticas, sem um pingo de naturalidade.

 

                     Paramount Pictures/Divulgação

 

O Último Mestre do Ar consegue provar que Shyamalan perdeu mesmo seu talento em contar uma narrativa de apelo e competente. Não há um fator ao certo para culpar, só pode-se dizer que o diretor que outrora foi um gênio (temporário) do suspense, agora não passa de uma figura que nos decepciona com seus trabalhos mais recentes, deixando as boas memórias de trabalhos bem consolidados cada vez mais distantes.

 

Confira o trailer:

 

 

 

The Last Airbender
EUA, 2010 - 103 min
Aventura

Direção:
M. Night Shyamalan
Roteiro:
M. Night Shyamalan
Elenco:
Noah Ringer, Dev Patel, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis

 


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