pilloleitalia.net più alta qualità pillole

PENSATA

05/10/2010

Elementos culturais

A articulação política na América Latina

Por Bruno Moser Nunes

O fator cultural prova sua importância para as relações internacionais cada vez mais. Cultura e política percorrem lado a lado os caminhos da história desde o início de suas concepções. São duas realidades humanas inseparáveis, já que uma fundamenta a outra. Os processos culturais desenvolvidos nos diversos países da América Latina, desde suas independências, sempre foram muito politizados. Dentre estes processos, busca-se na música um brilhante exemplo, evocando, especialmente, o movimento chamado Nueva Canción Latinoamericana.

Os anos 60 foram a matriz de profundas mudanças ideológicas, não somente na América Latina, mas em todo o mundo. Neste continente, estas mudanças estabeleceram novas diretrizes na consciência social e política da juventude. Cuba acabava de triunfar sua Revolução vitoriosa, em 1959, e se levantava como uma bandeira de esperança, liberdade e luta antiimperialista.

 

                            Reprodução

 

Estas manifestações culturais sempre provocaram repressão, violência, perseguição e censura. Diante deste contexto reacionário e militarizado, a juventude, ansiosa por reformas sociais, políticas e revolucionárias, reagiu, elaborando propostas estéticas e ideológicas que fizeram da arte um grande veículo de protesto e de crítica ao sistema. Os anos 60 foram marcados pela crítica às instituições, ao modo de produção capitalista e, sobretudo, pelas reações coletivas contra o sistema sociopolítico, considerado repressivo.

A Nova Canção Latino-americana nasceu, portanto, num momento histórico de conflitos e de prementes necessidades políticas e sociais, tornando-se um forte instrumento de combates às ditaduras, de defesa dos direitos dos cidadãos e ataque ao imperialismo. As idéias vinham da sabedoria de um povo que, ao mesmo tempo em que servia de inspiração, erguia-se, também, como baluarte da identidade cultural a ser resgatada. A música se converteu em símbolo de uma consciência social e política latino-americana.

A Nova Canção Latino-Americana tem suas raízes ainda na década de cinqüenta, e engloba múltiplos movimentos músico-culturais dos diversos países; referimo-nos, especificamente a movimentos como: o Nuevo Cancionero na Argentina, o Nuevo Canto no Uruguai, a La peña de los Parra chilena, a Carlos Puebla e à Nueva Trova Cubana, à Bossa Nova e ao Tropicalismo do Brasil, entre outras manifestações semelhantes.

 

Reprodução

 

No Festival de la Canción de Protesta, ocorrido no ano de 1967, organizado pela Casa de las Américas, em Varadero, Cuba, foram definidas algumas características e diretrizes do que se deveria entender por canção de protesto, destacando-se sua função social como aparato de força e arma de luta em favor dos processos revolucionários. O movimento da Nova Canção Latino-Americana não foi desarticulado, nem casual, mas ideologicamente plantado e dirigido.

Os músicos dos anos 60 e 70, engajados nos movimentos populares de conscientização, associavam às suas composições elementos políticos e de luta consciente pela preservação da cultura dos povos latino-americanos. A postura política do artista era uma exigência e uma necessidade, frente aos acontecimentos vivenciados pelo povo, já que o artista deve ir onde o povo está.

 

Reprodução

 

A América Latina era vista como um continente que deveria forjar sua libertação, rompendo as cadeias de dependência com os Estados Unidos e criando canais de comunicação efetivos para os cantores do povo latino-americano. Essa parecia ser a única via para a descolonização deste continente.

Havia uma concordância tácita de que a música revolucionária somente poderia vir de homens revolucionários, identificados com o povo e vinculados à realidade social do país. O cantor acabou assumindo o papel de devolver ao povo sua identidade cultural roubada pelo colonialismo e alienada por valores vindos de fora. Era preciso conscientizar o povo de sua realidade.

 A identidade cultural deveria ser buscada nas raízes da alma popular, através do estudo do folclore e das novas formas de expressão que nascem do povo e para o povo. O músico deveria mergulhar nesse contexto sócio-histórico e dialogar com esse povo, que é a fonte da cultura, da inspiração e do aprendizado.

Falar do movimento da Nova Canção é falar do espírito inovador e revolucionário de uma época, de uma geração que pensava coletivamente e de um fenômeno continental que ainda se manifesta nos dias de hoje, vinculando, cada vez mais, a articulação entre cultura e política.

 

 


blog comments powered by Disqus


2014

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro

2013

Janeiro
Fevereiro
Março
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

2012

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

2011

Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

2010

Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro





Política de Privacidade | Sobre | Anuncie | Contato | Copyright © 2014 culture-se - Todos os Direitos Reservados.