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CINEMA01/11/2010Scott Pilgrim Contra o MundoCom direção de Edgar Wright filme estreia em SPPor Rodrigo Ramos A originalidade e honestidade são duas coisas que são raras de ver nas telonas. Com o grande número de reciclagens, poucos filmes se sobressaíram ao longo do ano. Posso aqui citar que os melhores do ano são Kick-Ass, Toy Story 3, A Origem e Tropa de Elite 2. Mas ainda há um pequeno espaço aí. Se não tinha, agora tem. Scott Pilgrim Contra o Mundo, um dos longas mais injustiçados pelo público e distribuidora em 2010, chega no Brasil três meses depois da estreia estadunidense e mostra-se o filme mais cool, descolado do ano.
Divulgação
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Desde o seu início, Scott Pilgrim Contra o Mundo mostra ser algo diferente. O logo da Universal aparece animado em 8 bits, acompanhado com música de sintetizador. Dá para ver pixel por pixel. Cria-se, desde já, um clima de videogame e nostalgia. As próximas cenas continuam estilizadas. Ao bater as baquetas, os sons viram letras, assim com nos quadrinhos. Uma onda de luzes e cores nos acompanham junto aos créditos e então você percebe estar diante de uma nova tendência no cinema. Espero que não comecem a repetir o que Scott Pilgrim traz, porque é algo que deveria ser único, já que respeita o que é feito na HQ.
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Aliás, o filme não fica só no que os quadrinhos trazem. Wright coloca sua personalidade na película. O humor é digno de seus trabalhos prévios. São diálogos inteligentes, rápidos, que necessitam de uma boa captação de piadas por segundo. Além disso, há várias referências ao longo da fita. A maior homenagem que o longa presta é ao mundo dos games. O trabalho inteiro é banhado por um visual nunca antes visto fora dos jogos. São letreiros iluminados, raios, efeitos de luz, palavras no ar, até mesmo "uma vida" e continues. Quando Pilgrim derrota algum adversário, um placar aparecer contando os pontos e os oponentes se transformam em moedas. Assistir Scott Pilgrim é como ver um jogo em carne e osso. E acredite, funciona muito bem.
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A originalidade não fica só ai. Edgar tomou cuidado ao transpor os quadrinhos. Aliás, ele vai afundo nisso. Há muitas piadas visuais na HQ, mas ele consegue colocar tudo isso com êxito na tela. As barrinhas de status e apresentação dos personagens, a barra de mijo, o painel de "entendeu", pensamentos, entre vários outros elementos gráficos, estão todos lá em cena. Além disso, o diretor ainda consegue colocar quadros inteiros da HQ na tela, com repartições iguais as dos quadrinhos e todo essa linguagem visual é feita com perícia e acerto.
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Para acompanhar tudo isso, foi necessário um bom elenco. De fato, temos um núcleo que surpreende. Michael Cera costuma interpretar sempre o mesmo personagem e Scott Pilgrim carrega um pouco dele. No entanto, o protagonista realmente surpreende. Nunca seu jeito meio pato foi mais certeiro do que aqui, além de se sair muito bem nas várias cenas de ação. Pulando pela janela, atravessando paredes, sendo atirado para longe, fugindo das mulheres, tocando guitarra, esmurrando alguém na cara, demonstrando tédio total, seja como for, Cera se sai muito bem. O resto do elenco também não fica pra trás. Há tamanha harmonia entre eles, que é impossível não simpatizar com todos.
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Com muita ação, efeitos especiais, música de primeira, diálogos e personagens bem escritos, atuações satisfatórias, humor ácido e um visual único, Scott Pilgrim se torna um dos melhores filmes deste ano. No mínimo, refrescante. É inovador em alguns aspectos e pode virar tendência. Enquanto o recente A Suprema Felicidade serve de lembranças para os mais velhos, Scott Pilgrim vem matar a saudade dos adultos mais jovens. O longa é uma surpresa mais do que agradável e é uma pena vê-lo sendo injustiçado nos cinemas. De qualquer forma, se você tiver a oportunidade de assistii-lo, não perca a oportunidade. O longa entra em cartaz em São Paulo na próxima sexta-feira, 5, em cinemas selecionados.
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