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CULT16/12/2010Ela Solo AmoreDesvendamos o universo da nova musa do bregaPor Paulo Henrique de Moura Fotos: Vinicius Suzano “Ai que vontade que me dá de beijar a sua boca....” O refrão que não sai da cabeça, tem sido a trilha sonora de algumas tardes aqui na redação do Culture-se. Numa sexta-feira como outra qualquer, nossa equipe se dirigiu até o Berlim Club na Barra Funda para entrevistar a nova Musa do Brega: Ela Solo Amore. Em um vestido de pele de cobra, cabelos rebeldes, botas cano alto e batom vermelho, Ela nos recebe onde aconteceu mais uma de suas apresentações. Cenário pronto, o fotógrafo Vinicius Suzano começou a sessão de fotos que rolou com muita descontração e com um bate papo para que a nossa entrevistada ficasse super à vontade com a equipe. Confira o ensaio e a conversa que rolou minutos antes do show.
Vinicius Suzano
Você começou com atriz certo? Quando e porque decidiu ser cantora? Eu comecei a cantar dentro do teatro quando fazia uma peça de conclusão do curso e essa peça seria um musical. Eu na verdade nunca me interessei em cantar, pois o teatro para mim era uma grande diversão, era um lugar de descobertas. Eu era uma pessoa extremamente tímida e fui fazer teatro porque meu pai é ator. Na época deste musical, a minha professora falou que eu tinha que fazer o teste e eu tinha o perfil da protagonista. Quando eu vi, estava com o papel principal e cantando a peça inteira. A partir daí comecei a perceber que eu teria alguma chance de virar cantora.
Vinicius Suzano
Porque a escolha da música brega? O brega é uma das coisas que eu amo, que eu adoro. Na minha opinião, a música é ampla e deveríamos acabar com essa “coisa” de rotular, pois os rótulos não fazem bem em nenhum sentido. Eu tenho um disco gravado de música popular brasileira em parceria com o André Bedure. Tem canções que são autorais e algumas regravações de Nelson Cavaquinho e Tom Jobim. O brega entrou na minha vida por uma série de outras coisas. A música na minha casa entrava muito através da televisão ou através de discos e rádio. Na televisão o que a gente assistia muito eram os shows de auditório: Show de Calouros, Chacrinha, Bolinha. Muitos destes programas passavam sábado à tarde e eu ficava na sala assistindo e vendo Sidney Magal, A Patotinha e Perla. Nos intervalos, eu baixava o volume da televisão e imitava tudo o que havia acontecido no bloco anterior. Quando eu comecei a cantar, cantava Chico Buarque, Caetano, Gil, daí fui chamada pela Andreia Dias para fazer parte dos Astronautas do Amor que é uma banda de música brega romântica onde cantávamos Kátia, Perla, Roberto Carlos, Sidney Magal. E quando eu cantava estas músicas eu me sentia tão feliz e tão bem e então eu comecei a lembrar muito do que eu fazia na infância. A partir daí, fui me libertando dos preconceitos que eu nem tinha, mas que acabei adquirindo com o passar dos anos. As pessoas sempre dizem: “Você tem que cantar MPB, a música brega é pobre, é um lixo”.
Vinicius Suzano
O que pode ser considerado música brega? O título brega até me incomoda um pouco, porque parece que quando se fala “brega” as pessoas estão desdenhando algo, reduzindo aquela arte, aquela roupa, aquela música, e o brega na minha opinião é a hora que você se expõe sem medo de ninguém e sem medo de contestações. Você vai lá e se abre, se joga. O brega é muita exposição, brilhos, cores, é muita alegria, é uma alegria sem medo de ser feliz.
Vinicius Suzano
Nós definimos você como a nova musa do brega. Esse título te incomoda? Não. Pelo contrário, fico bem feliz. Eu adoro (risos). Quais são os seu ídolos na música? Algum nome em especial? Por quê? Caetano Veloso. Eu vou citar o Caetano por uma questão. Ele tem uma relação com a música que eu to fazendo no momento. O Tropicalismo foi uma fusão de artes. Foi um movimento que não trazia apenas a música, trazia também artes visuais, teatro e todo mundo muito envolvido, se libertando dos preconceitos. Hoje ouvindo seus recentes discos, podemos notar que Caetano não tem barreiras. Mas também gosto muito do Gil, da Gal Costa que é uma grande inspiração para mim. Dos bregas, eu amo a Perla. Quando eu tinha quatro anos eu estava em Belo Horizonte e ela fez um show lá e minha mãe me levou na porta do hotel para falarmos com a Perla. Também lembro que uma vez fomos à porta de um hotel para eu poder falar com a Gretchen que eu também gosto. Das atuais gosto muito da Joelma do Calypso, da Ivete Sangalo que, na minha opinião, é uma cantora incrível. É uma figura que além de cantar muito bem, tem uma energia impressionante. Porque não é fácil cantar cinco horas num trio elétrico e se manter firme. Eu também acho a Preta Gil o máximo. Super ousada, corajosa. Ela não precisa provar nada pra ninguém, mesmo sendo filha do Gilberto Gil, eu vejo que ela hoje tem uma luz própria e gosto do jeito debochado.
Vinicius Suzano
Você faz um brega autoral. Você se inspira no que para compor? Praticamente todas as músicas são minhas. O disco que eu vou lançar em 2011 tem uma música da Aretha Marcos e uma música da Marcela Belas que é uma baiana incrível e também tem algumas parcerias minhas com o André Bedure. As inspirações vêm de situações variadas. Eu componho muito no carro. Agora tenho um gravador, mas antes eu compunha no próprio celular. Quase todas as músicas deste disco foram compostas dentro do carro.
Vinicius Suzano
Muita gente diz para você “Ai que vontade que me dá de beijar a sua boca”? Risos...Olha têm falado até viu. É engraçado. Com essa onda das redes sociais, Twitter, Facebook, às vezes eu recebo umas mensagens engraçadas, principalmente porque as fotos de divulgação são fotos mais sensuais e ousadas. Vira e mexe recebo mensagens e o assunto é: Ai que vontade. Eu falo: hummm....Risos.
Vinicius Suzano
A Elaine Guimarães me parece tímida e a Ela Solo Amore é um furacão! Estou certo? Eu só soube desta transformação no dia do primeiro show que foi em setembro. Eu me deparei com muita gente me olhando ai eu falei: eu não vou poder ser eu, porque se eu for eu mesma cantando essas músicas que têm letras engraçadas, se eu não fizer alguma coisa que seja diferente do que eu sou, não vai dar certo. Na hora eu tremi na base. Todo mundo me olhando e eu não sabia se iria conseguir dançar. Ai eu comecei a ficar mais sensual, comecei a passar a mão na perna e no corpo ai as pessoas começaram a gritar e as meninas também gostaram porque começaram a se identificar comigo. Ai eu falei: é isso.
Vinicius Suzano
A sua experiência como atriz serviu nessa hora então... Serviu. Pelo menos agora. Eu sempre falei que a música me salvou porque eu não sei se eu seria uma boa atriz.
Vinicius Suzano
E o que vem por ai? Em 2011 vou lançar o meu disco que acho que irá se chamar “Sabor Delícia”, com 12 faixas. Quero fazer mais apresentações em casas de shows mais populares, além do circuito da Zona Oeste. Tenho feito bastante shows na Rua Augusta, na Vila Madalena, na Barra Funda, mas ainda é um público que vê o brega como Cult. Eu vou fazer um show para o “povão” mesmo dia 30 de janeiro, no Centro de Tradições Nordestinas. É um espaço que cabe cinco mil pessoas e minha expectativa é levar minha música para esse público, simplesmente para dançar e ser feliz e sem ficar pensando porque ela fez essa letra, porque ela não continua cantando MPB. Também quero levar minha música para outras regiões do país. Deve rolar shows em Brasília e Goiânia através do Rodrigo Barata da festa Criolina.
Vinicius Suzano
Para ouvir as músicas d’ELA – http://www.myspace.com/elasoloamore. Confira o clip do hit "Ai que vontade"
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