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CULT22/01/2012Conjunto Nacional: O Gigante da PaulistaUma história sobre memórias sobrepostasPor Marcelo Testoni Ele já foi um hotel luxuoso, um reduto do tráfico organizado e hoje ocupa o posto de edifício modelo, abrigando em seu interior, apartamentos residenciais, lojas de departamento, agências bancarias e até um espaço cultural, reservado às exposições de arte e a conscientização ambiental.
São Paulo na época dos Barões do Café - Final do século XIX
Resultado do processo de urbanização da Avenida Paulista na década de 1950, o Condomínio Conjunto Nacional fora o primeiro grande arranha-céu erguido na região do bairro dos Jardins, em São Paulo. Arrendado em 1953 pelo empresário argentino, José Tjurs, em decorrência do falecimento do até então proprietário, o barão de café, Horácio Sabino, o imóvel passou por profundas transformações. A primeira, e mais desafiadora para a época, foi à pavimentação de todo o terreno, anteriormente, a maior chácara de café da região, e a segunda, a demolição de um palacete colonial datado do final do século XIX. A substituição se deu pelo maior shopping da América Latina, outrora, refúgio da elite paulistana.
A notável construção do Conjunto Nacional: inaugurado o primeiro grande edificio da Av. Paulista dos anos 1950
Em sua fase inicial, nos anos de 1960, o edifício instalou duas de suas escadas rolantes no centro comercial, consideradas as mais recentes a serem instaladas no Brasil. No ano seguinte é inaugurado o Cine Astor e o restaurante Fasano, registrados como os points mais requisitados da história da cidade, e quando concluída, a construção recebeu em seu topo, o letreiro e o relógio da montadora de automóveis Willys. Em 1969, o Conjunto Nacional passa a representar também um marco cultural ao abrigar a Livraria Cultura.
O edifício abrigou na década de 1960 os points mais badalados da cidade
Porém, no final da década de 1970, devido à desenfreada popularização e problemas administrativos, o prédio já indiciava sinais de desgaste, o que gerou na madrugada do dia 4 de setembro de 1978, um incêndio que destruiu toda a sua fachada. Estrearia naquele instante, uma fase de ruína e decadência que o transformaria em um cortiço, que abrigaria também, contrabandistas, botecos e agenciadoras de garotas de programa.
Mas uma reviravolta ocorreu nos anos 1990. Após os episódios relatados, o Conjunto Nacional mudou de administração e passou por reformas que revitalizariam sua infraestrutura. Com a conclusão delas, grandes empresas e prestadoras de serviços sentiram-se atraídas em voltar, propondo ainda, áreas de lazer e entretenimento, a exemplo das salas para mostras de pintura e arquitetura e até uma academia esportiva situada no terraço.
O conhecido relógio do Banco Itaú presente no Conjunto Nacional desde 1976
Ao depararmos com este gigante, fica difícil acreditar que ele guarde tanta história. Não é possível decifrar o seu passado; não somente pela sobreposição arquitetônica da região, típica por acomodar prédios uns maiores que os outros, como também em decorrência da ressignificação do olhar dos paulistanos, em transformação há pelo menos 458 anos.
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