MÚSICA

24/01/2012 08:43:46

Um breve panorama da História da Música em SP

Dos rituais indígenas, cantigas, trovas até o multiculturalismo atual

Por Daniel Ratto

São Paulo está prestes a fazer 458 anos. A quinta maior megalópole do mundo com dezoito milhões e oitocentos e quarenta mil habitantes. Desde sua fundação, a música esteve presente nessa história. Os índios já usavam a música em seus rituais, e, quando os jesuítas chegaram para catequizá-los, utilizaram da música e de estórias teatralizadas para domesticar a população indígena. No início da colonização também foi normal, o relacionamento entre portugueses e índias, pois não vinham mulheres portuguesas, somente as dos comandantes. Esses mamelucos foram os primeiros “caipiras”, que ao colonizarem o centro-sul brasileiro, receberam a alcunha de Bandeirantes e criaram inconscientemente a cultura caipira.

 

                           Reprodução

 

Alguns apontamentos de estudiosos sugerem que já em 1613, o uso de violas era comum, nos deixando acreditar que no século XVI já se usavam violas. Os condutores de tropas do bandeirismo estavam sempre a disputar, com as melhores cantigas. Daí que quando se fala em musicalidade caipira do século XIX, conclui-se que esta foi um aprimoramento lento e gradual como todas as fusões culturais e musicais brasileiras. Logo depois os negros são “incorporados” na cultura brasileira e com seus batuques, percussões, capoeira e lamentos, misturando ainda mais a música popular paulista.

 

                                                                                                        Reprodução

 

Eis que o Romance ibérico torna-se, no século XIX, a base literária para a produção musical caipira. As trovas surgem com verdadeiros traços brasileiros dentro de um molde português. E ainda no final deste século, com a urbanização e industrialização, a viola foi saindo das cidades e migrando para o campo.

Na virada para o século XX, São Paulo era uma cidade grande com seus 250 mil habitantes, próspera, cheio de riquezas advindas do café. Os paulistanos queriam ser vistos como cidadãos cosmopolitas e não mais caipiras. Em 1929, porém, uma reviravolta acontece e a música caipira, primeiramente através de Cornélio Pires, que “bancou” gravação de discos caipiras, já que as gravadoras se recusavam a fazer, conseguiu vender 25 mil cópias em uma época onde quase não existiam gramofones no Brasil.

 

                                                         Reprodução

 

Há de se notar a forte influência italiana com seu romantismo e lirismo, além do sotaque, na construção do novo caipira ou sertanejo, assim aparecendo as primeiras duplas ainda nos anos 30. Também vemos nítida participação italiana nesse samba afro-italiano, no rock, no sertanejo pop/universitário, na MPB e bossa nova paulistanas.

 

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No rock, por exemplo, os bairros, da Mooca, Cambuci e Pompéia, com seus colonos italianos, sãos os berços de bandas como “Mutantes” e músicos como o guitarrista Luis Carlini. A “Vanguarda Paulista” tinha grandes compositores como: Paulo Vanzolini, Angelino de Oliveira, João Pacífico, Cornélio Pires, Adoniran Barbosa e outros.

 

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No final dos anos 70 e toda década de 80 o rock paulista estava em evidência com “Ultraje a Rigor”, “Titãs”, “Ira!” como resultado da massificação que deixou mais próximo o artista do público. Na música instrumental paulista, o coreto de interior e o jazz tiveram papel fundamental. Misturando com o popular, criando assim preciosidades como “Tico Tico no Fubá” de Zequinha de Abreu e ainda, Paulinho Nogueira, referência no violão.

 

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Mas o mais importante é que não se pode com certeza definir, hoje, o que é música paulista, ou quais são os artistas de São Paulo. Há muito tempo, essa cidade é referência para quem quer ser ouvido, para quem quer atingir o grande público, seja do Acre ou da Paraíba, naturalmente, a maior cidade do país, a mais desenvolvida, graças ao multiculturalismo, às migrações e imigrações, que construíram essa cidade. Existem artistas baianos, por exemplo, que são mais paulistas que muitos artistas genuinamente paulistas. São Paulo é há 458 anos, a Cidade-Mãe das oportunidades. Na música não é diferente. Parabéns Terra da Garoa, pelo passado, presente e futuro!

 

 

 

 


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