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CINEMA

26/01/2012 09:58:21

Em 'Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras', Guy Ritchie minimiza erros e faz um filme ainda melhor do que o primeiro

Com boas cenas de ação, longa oferece uma história bacana e situações cômicas

Por Rodrigo Ramos

De alguma forma, eu ainda acho que Guy Ritchie se separou da cantora pop Madonna para deixar de ser conhecido como “o marido da Madonna”. Isso era muito comum e muitos se referiam a ele dessa maneira. Ok, isso foi uma piadinha, mas não é de hoje que o diretor tenta buscar um espaço maior e ser mais respeitado. Apesar de ter um dos melhores filmes dos anos 90, Ritchie não é exatamente um dos melhores diretores que há por aí. Mas ele conseguiu seu espaço em Hollywood com sua versão de Sherlock Holmes, colocando Robert Downey Jr. e Jude Law para combater o crime nas ruas da Londres do século XVIII.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

O primeiro Sherlock Holmes era divertido, sem dúvida, e muito bem representado pelos seus protagonistas, além de diálogos ácidos e ágeis, tornando tudo mais delicioso. Apesar disso, havia alguns problemas, como forçar um final que necessariamente puxe uma continuação e algumas manias de Guy Ritchie. Na segunda parte, intitulada Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, o diretor tem a oportunidade de minimizar seus erros e fazer um filme ainda melhor do que o primeiro.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

A história se passa não muito depois do primeiro longa. Ambientado em 1891, o longa-metragem inicia com Irene Adler (Rachel McAdams) no meio de uma missão, que vem a ser entregar um pacote para um tal de Dr. Hoffmanstahl. No meio do caminho, ela encontra Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), que consegue atrapalhar os seus planos. Holmes sabe que quem está por trás disso é o Professor Moriaty (Jared Harris). Esse é apenas um dos diversos casos em que Holmes suspeita do tal professor. E o que antes era apenas um trabalho, se torna um verdadeiro caso de obsessão. Isso fica claro quando, prestes a se casar, Dr. Watson (Jude Law) o visita e percebe a loucura do amigo. Nem mesmo uma despedida decente Holmes não consegue proporcionar para o fiel companheiro.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

Holmes acaba criando uma briga direta com Moriaty, uma verdadeira caça entre gato e rato. E Moriaty é o tipo de personagem que não poupa ninguém e está disposto a destruir qualquer pessoa que tenha ligação com o detetive, como é o caso de Watson e sua recém esposa. Para conseguir impedir o professor e seu plano de criar uma guerra bélica na Europa, Holmes vai até as últimas consequências e utiliza os disfarces mais ridículos do planeta.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

Este segundo longa do detetive britânico tem seus problemas. Guy Ritchie continua com seus defeitos. As cenas em que Sherlock prevê todos os movimentos de seu adversário continuam se mostrando ineficientes e desnecessárias. Outro fator é o uso das câmeras lentas, que é um tipo de tique nervoso do diretor e parece que ele não consegue viver sem. Tem um momento do longa em o slow motion funciona, na tomada em que Holmes e seus parceiros estão fugindo na floresta sob vários tiros em sua direção.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

O plano do vilão é daqueles meio megalomaníacos, como costumam ser os dos vilões de 007, por exemplo. Ou do Pinky e o Cérebro. Mas é normal para esse tipo de filme. A história não é um problema, mas sim como Ritchie a conduz. Tudo é rápido demais. O longa é (com o perdão da palavra esdrúxula) vomitado, sempre correndo, com pressa de discorrer. Não há tempo para o espectador realmente saborear e aproveitar a trama criada pelos roteiristas Kieran Mulroney e Michele Mulroney. Algumas cenas têm cortes extremamente bruscos e que poderiam ganhar muito mais com um ritmo um pouco menos frenético.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

A película exagera um pouco em algumas situações. Robert Downey Jr. está um pouco mais forçado do que deveria, especialmente pelo fato de estar sempre transvestido em cena, o que é um pouco degradante para ele e um pouco desconfortável para quem assiste. Mas calma, não é tão ruim assim. Aliás, é tão ridículo que acaba sendo engraçado. E o humor é algo que a película tem de monte. O bom humor do primeiro era um dos trunfos da obra e, neste segundo, também há bastante espaço para piadas e situações embaraçosas.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

A química entre Downey Jr e Jude Law continua intacta. Eles têm a química que Angelina Jolie e Johnny Depp não têm. É convincente a modo de fazer você pensar que eles são melhores amigos há anos. Falando em se dar bem, Jared Harris (da série Mad Men) está ótimo em seu papel. Seu relacionamento com o protagonista na tela é riquíssimo. É um embate de olhares e palavras não ditas. Noomi Rapace (a Lisbeth Salander da versão sueca de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres) não acrescenta muita coisa na tela, só serve para substituir a presença de Rachel McAdams, que não quis participar da continuação, por isso sua personagem some logo no início da trama.

 

                           Warner Bros/divulgação

 

Com boas cenas de ação, uma história até bacana e boas situações cômicas, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras também tem seu defeitos, porque Ritchie continua mostrando os mesmos erros que cometera no passado. Ainda assim, é um bom divertimento. Não é o tipo de cinema pensante, mas serve para o seu propósito e com muito mérito.

 

 

 

Sherlock Holmes: A Game of Shadows
EUA, 2011 – 129 min
Ação

Direção:
Guy Ritchie
Roteiro:
Michele Mulroney, Kieran Mulroney
Elenco:
Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Noomi Rapace, Stephen Fry, Rachel McAdams

 

 

 


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