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CINEMA17/02/2012 05:08:58'O Homem Que Mudou o Jogo' tem o êxito que poucos filmes sobre esportes conseguemLonga é fácil de assistir e envolve o espectador com boas atuações e uma trama bem amarradaPor Rodrigo Ramos Vamos falar sobre filmes onde o assunto principal é esporte. Qualquer um que seja. Existe sempre uma linha tênue onde a paixão pela modalidade pode se sobressair à história e destruir uma película que poderia ser melhor do que realmente é se não fosse tão focada em babar pelo esporte. O Homem Que Mudou o Jogo corria este risco, ainda mais por ter como abordagem um dos esportes mais confusos e quase sem sentido pros brasileiros: o beisebol.
Columbia Pictures/divulgação
Aí ficou difícil para Bennet Miller, diretor apenas do competente Capote, filme que rendeu o Oscar de melhor ator para Philip Seymour Hoffman. Apesar da pouca experiência, o rapaz já se mostrou capaz de criar uma película diferente. O que acontece aqui em O Homem Que Mudou o Jogo é bem próximo disso, abordar um assunto conhecido (e baseado numa história verídica) de maneira em que o público não se enjoe e o esporte, que dá a temática do filme, não se torne maior do que a película em si.
Columbia Pictures/divulgação
Baseado no livro de Michael Lewis, a trama segue em torno de Billy Beane (Brad Pitt), o gerente do time Oakland Athletics. Com um orçamento pequeno e quase insignificante em comparação com os grandes times da liga, Billy não consegue montar um time bom o suficiente para disputar o campeonato. Em 2001, o Oakland perdeu nas oitavas de finais. Com isso, Billy quer reestruturação. Para isso, ele conta com a ajuda de Peter Brand (Jonah Hill), um jovem que há pouco se formou em economia em Yale e que tem muito que dizer sobre táticas esportivas, incluindo uma visão diferenciada de como jogar.
Columbia Pictures/divulgação
O problema é que esta nova visão de jogo é um tanto chocante. Ela consiste apenas em dados estatísticos e isso não agrada nenhum pouco os dirigentes do time e menos ainda o técnico, Art Howe (Philip Seymour Hoffman). O que resta para Billy é apostar neste esquema e ver se consegue ser o homem que mudará o jogo. (Desculpem o trocadilho, mas não consegui evitar).
Columbia Pictures/divulgação
O que eu mais gosto em O Homem Que Mudou o Jogo é por ter êxito no que poucos filmes sobre esportes conseguem: não ser apenas sobre ele. Particularmente, não vejo graça alguma em beisebol. Nossa cultura brasileira realmente não dá bola pra isso. É interessante, contudo, a forma como Miller coloca-o na tela. Apesar de girar em volta do esporte, não temos um jogo a cada dez minutos da película. Fique tranquilo. Os jogos são intensificados na segunda metade do longa. Antes disso, Miller se preocupa em nos mostrar bem quem é quem, dar profundidade para os personagens e espaço para eles se firmarem na tela. E quando alguma partida vem à tela, nos encontramos presos, conectados com o que estamos vendo.
Columbia Pictures/divulgação
Com isso, fica muito mais fácil se apegar ao longa-metragem. O espectador cria um vínculo com Billy, pois além de ser frustrado como gerente (afinal ele é impotente sem ter o orçamento que necessita), ele é divorciado, não tem a guarda da filha que tanto ama, e carrega consigo a frustração dos tempos em que ele jogava profissionalmente. Miller pode orquestrar esse drama muito bem, sem cair em pieguice barata, mas é evidente que há o dedo de Aaron Sorkin (da série The West Wing, A Rede Social), roteirista de mão cheia, nisso tudo.
Columbia Pictures/divulgação
Destaque também à participação de Jonah Hill, o gordinho de Superbad. Há um bom tempo tem conquistado espaço como comediante, mas aqui ele pega um papel sério e se sai brilhantemente. Suas indicações como melhor ator coadjuvante em todas as premiações da temporada evidenciam isso. Ao lado dele, há Brad Pitt, em uma atuação inspirada, onde o ator se encontra à vontade e passa a credibilidade necessária para defender seu personagem.
Columbia Pictures/divulgação
Retornando ao quadro geral, O Homem Que Mudou o Jogo tem aquele quê de redenção, do jeito que a Academia gosta, mas não é verborrágico e não prega valores goela abaixo. Um longa-metragem que é fácil de assistir e envolve o espectador com boas atuações e uma trama bem amarrada. É o suficiente.
Moneyball
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