CINEMA

Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho

A história profética e duvidosa de Paulo Coelho

Por Rodrigo Ramos
 
Com mais de 150 milhões de cópias de livros vendidas no mundo, sendo traduzido em 81 idiomas e editado em 168 países, Paulo Coelho é um dos nomes mais reconhecidos no planeta em se tratando de literatura. Atualmente, com 66 anos, o escritor, letrista e jornalista teria sua história contada eventualmente. Se muitos nomes acabam tendo suas vidas compartilhadas no cinema após seu óbito, Paulo não esperou chegar nesse ponto. Baseado em seus depoimentos, criou-se Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho, em cartaz nos cinemas de todo o país.
 
 
O filme é dividido em três momentos da vida de Paulo: a juventude, nos anos 1960 (período em que é vivido pelo ator Ravel Andrade); a idade adulta, na década de 80 (Júlio Andrade); e a maturidade, em 2013, quando refaz o Caminho de Santiago (o mesmo Júlio Andrade, com 5kg de maquiagem).
 
 
Não Pare na Pista tem como foco predestinação. Quando é ainda garoto, Paulo queria ser um escritor e todos riam na sua cara, dizendo que ele jamais o seria. Nos anos 80, ele resolve ser o diretor de uma gravadora e sua companheira diz que este não é o Paulo que ela conhece, que ela ama aquele que escrevia. Logo, ele teria que provar que o mundo inteiro estava errado e ele ganharia a vida a partir do que escrevesse, que seria um grande escritor. O longa parte dessa premissa que parece programada para se tornar uma história de superação. Dito e feito, obviamente.
 
 
Nota-se a intenção da produção colocar em cena elementos religiosos e como a religião permeia a vida de Paulo, como se isso tivesse ação direta nos acontecimentos de sua vida. Logo na abertura do filme, ele tenta se matar, enquanto segura um rosário. O foco é no crucifixo. É como se uma luz divina fizesse com lhe impedisse de tirar sua própria vida. O pai também profetiza e diz que Deus fará com que ele pague por seu comportamento. Mais tarde, Paulo e o amigo Raul Seixas fazem um pacto demoníaco e “vendem” suas almas – e o protagonista, então, trai a esposa caindo na luxúria, cai ainda mais de cabeças nas drogas e é traído pelo companheiro musical.
 
 
Seu visual de barbas e cabelos longos lhe dão um toque de divino. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Na cena do chuveiro, em que toma banho, a iluminação, a expressão no rosto de Paulo, além de barba e cabelo revelam nele um verdadeiro profeta, um mártir, quase um Jesus, que passou pela dor e busca redenção. A peregrinação espiritual é uma metáfora para sua ressurreição. Quando ele se encontra na religião é que sua carreira emplaca. Coincidência ou recompensa divina? Se tudo isso é bom para o filme, cabe ao espectador julgar, porém, particularmente, me sinto ofendido com a ligação estabelecida entre os símbolos sacros e Paulo, mesmo não sendo praticante de nenhuma religião.
 
 
Como é comum em longas nacionais biográficos, tudo sempre termina com o sucesso. Seja naqueles em que o resultado final é positivo (por exemplo, 2 Filhos de Francisco) ou naqueles em que é negativo, como é o caso aqui. Torna-se incômoda a bajulação em cima da figura de Paulo – o que é compreensível, já que a película é baseada em seus depoimentos. Está aí o problema que se tem no Brasil e se tornou alvo de discussões fervorosas no ano passado: a autorização do próprio ou da família do biografado para se fazer uma biografia.
 
 
Os saltos temporais, que se embolam e tentam se completar para constituir a narrativa, não dão oportunidade para que as três fases do escritor sejam fáceis de se apegar – no entanto, isso não se deve pelos interpretes do protagonista, a culpa é do roteiro. Nenhuma versão do Coelho é interessante o suficiente aqui, passando longe da figura fascinante que ele é – ou deveria ser.
 
 
Poderia haver mais de sua relação com Raul Seixas, em sua literatura e até na ditadura militar. Mas Não Pare na Pista, na verdade, pouco dá tridimensionalidade à figura icônica que é Paulo Coelho. É apenas um filme que o coloca como um escolhido divino para ser o reconhecido escritor que é hoje. Profético e pouco efetivo.
 
 
Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho
Brasil, 2014 – 112 min
Drama
 
Direção:
Daniel Augusto
Roteiro:
Carolina Kotscho
Elenco:
Júlio Andrade, Ravel Andrade, Fabiana Gugli, Enrique Diaz, Fabiula Nascimento, Lucci Ferreira, Letícia Colin, Luiz Carlos Miele, Nancho Novo, Paz Vega
 
 




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