MODA

O melhor e o pior da 35ª Casa de Criadores

Veja os dez melhores desfiles da edição de Verão 2015 da Casa de Criadores.

por Dhyogo Oliveira
 
A Casa de Criadores é conhecida por revelar novos estilistas e incentivar os criadores autorais independentes. Funciona quase como uma versão paulistana do Dragão Fashion Brasil, ainda que tenha marcas de todos os lugares do país. O evento dá mais atenção ao processo criativo individual do que a comercialização no produto no mercado. Chegou em sua 35ª edição com André Hidalgo no comando, e uma exposição com os desenhos de estampas criados para o concurso "Homofobia Fora de Moda" que premiou o primeiro lugar com R$2,5 mil. A edição aconteceu numa galeria do centro da cidade, chamando a atenção a revitalização daquela região de São Paulo. Ainda contou com o desfile dos alunos de Senac de design de moda na abertura do evento.
 
Com um fio apelativo, a Casa de Criadores contou com a autora de “beijinho no ombro” ao lado de David Brasil, desfilando para o estilista Walério Araujo, conhecido por vestir celebridades (Valesca Popozuda usou um modelo assinado por Walério no Baile da Vogue 2014 e no ensaio que a funkeira fez para a Vogue Brasil). Um desfile de modelos masculinos de underwear, planejado por Elian Gallardo, agente de modelos, também ganhou destaque nesta edição. A apresentação, sem dúvidas, arrancou suspiros dos presentes, mas fugiu da proposta do evento, que é revelar nomes criativos da moda brasileira. Outra figura polêmica foi Harry Louis, ex astro pornô e ex namorado do estilista Marc Jacobs (que poderia também ser um ex BBB), desfilando de cueca e atacando de DJ em uma das apresentações. Nicole Bahls, paniquete e ex integrante de “A Fazenda” esteve no mesmo desfile, vestindo uma cueca masculina e uma blusa com aplicações em brilhos, de gosto muito duvidoso, por sinal. A pergunta que fica é: seria a Casa de Criadores, o reality show da moda brasileira?
 
 
 
 
Alguns estilistas salvaram o evento, no entanto, e não conseguiram tirar o foco do principal: a divulgação dos novos talentos da cena fashion nacional. Entre os novos nomes, Gustavo Carvalho se destacou numa apresentação mais madura que a anterior (é sua segunda participação no evento), e Rober Dognani mostrando como se faz roupa com látex queimado e um a ar de teatralidade sem precisar apelar no desfile. Jadson Raiere, por sua vez, mostra porquê se mantém na semana de moda por tanto e a marca focada em malharia, Trendt, se apresentou em seu melhor momento com uma coleção que mostrou dominação técnica na modelagem do material. Veja abaixo quem mais se destacou na edição Verão 2015 da Casa de Criadores:
 
GUSTAVO CARVALHO
 
 
O estilista saiu do Rio de Janeiro há poucos anos e se especializou em modelagem aqui em São Paulo. Trabalhou com Reinaldo Lourenço, onde aprimorou a técnica e exerceu forte influência em seu trabalho. Também esteve na equipe que vestiu Beyoncé em sua última turnê pelo país, ficou em segundo lugar no concurso organizado pela cantora pop Jessie J, para vesti-la  no Rock In Rio passado e atualmente assina os figurinos da Gabi Amarantos. Por sua trajetória, é visível a influência da moda pop em suas criações, que tem o couro como um material recorrente. Embora tenha ficado em sua zona de conforto com as modelagens já vistas em outras temporadas, mostrou-se mais maduro com criações pé no chãs e prontas para serem desfiladas nas ruas, somada a uma boa cartela de estampas, que é inédito em seu trabalho. A coleção de Gustavo Carvalho faz a gente querer saber o que vem por aí.
 
GEFFERSON VILA NOVA
 
 
O estilista se apresenta pela segunda vez no evento e mostra uma coleção mais coesa e bem desenvolvida. Sua inspiração partiu das aves e foi parar no universo punk, unindo o tropical ao subversivo. Os looks são bem desenhados e mostra uma nova vertente de estampas de verão.  Ele divide a silhueta trapézio dos anos 1940 e complementa com cores contrastantes e modelagem elaborada. Os tecidos também foram escolhas certeiras: lamê de linho e metalizados fizeram parte da cartela. O resultado é um punk tropical para uma mulher moderna que não tem medo de ousar.
 
IGOR DADONA
 
 
Imagine uma coleção que mostre a trajetória de um relacionamento através das roupas. É isso que fez o estilista Igor Dadona, que apresentou peças alternativas para uma vida real de quem mora no Brasil.  Sem firulas, soube incrementar roupas já conhecidas como camisas e calças e uma modelagem inventiva em alguns momentos. A dupla mais clássica do Pantone (preto e branco) esteve presente em toda a coleção, sem variação de tons. O designer dá vida ao que poderia ser monótono e mostra que conhece bem seu público-alvo que, ao que parece, é ele mesmo.
 
LUIZ LEITE
 
 
Uma coleção inteira que tem como ponto de partida a estamparia, foi a aposta do estilista Luiz Leite. Reinventou o animal print para homens e misturou o tema a folhagens e camuflados em tons de verde musgo, beges, marrons. O que poderia causar confusão visual foi muito bem desenvolvido e finalizado com styling dos looks. O designer mostrou que dá pra usar estamparia na moda masculina sim, e que ela volta com tudo para o próximo verão. O ar safári foi o que deixou a coleção não pular do armário masculino, assim como a modelagem descomplicada das peças.
 
ROBER DOGNANI
 
 
A dominação na técnica de beneficiamento do látex chega em seu melhor momento nas mãos do estilista. Ele é o que melhor justifica sua presença no line up, com uma das únicas coleções conceituais vistas na temporada. O comprometimento com a reprodução dos modelos apresentados não é o foco de seu trabalho, que se mantém sob uma perspectiva teatral sem perfumaria. A roupa é o foco, e o resto é frescura. A modelagem não existe, e dá lugar a esculturas que parecem ter sido modeladas minutos antes da apresentação, já no corpo da modelo.
 
JADSON RANIERE
 
 
Um dos poucos nomes já consolidados do line up, Jadson Raniere se mostra em constante evolução e consegue fazer bonito no “mais do mesmo”. Ele aperfeiçoa sua técnica a cada temporada e traz para o próximo verão a reinvenção do minimalismo com estamparia e recortes precisos das roupas. Destaque para a alfaiataria desconstruída que deixa a moda masculina muito mais divertida.
 
RAFAEL CAETANO
 
 
Com um “quê” de experimentalismo e uma coleção despreocupada em vender, o estilista apresentou um trabalho quase arquitetônico nas roupas. A modelagem foi complemente desconstruída (ou seria em construção?) em poucos e elaborados looks. O excesso de construtivismo e uma preocupação exagerada no conceitual talvez deixem o trabalho do rapaz com ar acadêmico, mas sem dúvidas é um dos nomes para ficar de olho. 
 
JUSS
 
 
Uma alternativa para quem busca roupa diferenciada para o dia-a-dia, a Juss se estabelece como uma das marcas mais descoladas da temporada. Inspirada na cultura peruana, a estilista Juliana Souza traz elementos místicos e da mitologia inca para a passarela, que dá origem a camisas amplas, calças cenoura e novas versões de bermudas surfwear, sem falar nos gráficos e motivos que estampam os tecidos. Com uma forte carga do street style mundial, a marca mostra que sabe inovar com pé no chão.
 
ALÊ BRITO
 
 
O estilista arriscou em trazer transparência quando ela já estava sendo esquecida pela moda. Com uma coleção que tem o perfume do século XIX e elementos atuais do streetwear, ele apresentou roupas para mulheres com personalidade que se adéquam perfeitamente de festas de gala aos shows de rock. Renda com algodão e até plástico foram materiais usados, assim como o tafetá e tule. Com tema difícil de comercializar, se inspirou, entre outras coisas, em fotografias de mortos do século passado. Resultou em uma cartela que pouco varia do preto e branco em peças que pode facilmente ser vista nas ruas, mas ainda com uma raiz bem fixada no underground.
 
TRENDT
 
 
Uma das poucas marcas que domina a técnica de modelagem em malharia se sustenta em seu diferencial aperfeiçoando cada vez mais o que se propõe a fazer. Traz uma coleção com modelagem descomplicada, mas não menos elaborada. O conforto, tendência vista já em desfiles internacionais, é visível em todos os looks que têm formas amplas, influenciadas por um sportwear sóbrio. A marca reinventa a roupa básica e incrementa uma seqüência incrível de cores que variam entre o preto e o branco. Sem dúvidas, um trabalho primoroso e excelente opção pra quem quer fugir dos estampados que prometem invadir o próximo verão sem pena.




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