VIAGEM

Mercado Central de Belo Horizonte

Simplicidade e diversidade mineira para conquistar todas as pessoas

Por Fabiana Langaro Loos

Acostumada ao Mercado Público de Itajaí, em Santa Catarina, com cheiro de peixe e um bom bolinho de bacalhau, vendido por alguém que fala sempre rapidinho, rapidinho, peguei-me boquiaberta, surpreendida pela variedade de produtos do Mercado Central de Belo Horizonte, localizado no centro da capital mineira, exatamente na Avenida Augusto de Lima, 744, em uma construção de tijolinhos vermelhos, que ocupa um quarteirão inteiro e que permanece aberto todos os dias, inclusive em domingos e feriados.

 

                 Fabiana Langaro Loos

 

Desde os tradicionais queijos mineiros, goiabada, doce de leite, pão de queijo, torresmo, cachaça, carnes e pimentas, passando por brinquedos de madeira, panelas, ervas aromáticas, cestos de palha, instrumentos de música popular, até animais (coelho, cachorro, galinha, galo, passarinho), todos à venda em gaiolas, um tanto deprimente essa parte, porém, mais deprimente é ver umas lojas de bugigangas chinesas, que nada têm a ver com o regionalismo do mercado, assim como as lojas de artigos importados para cabelos e produtos de musculação. Bem, logo você dá mais alguns passos e rapidamente esquece essa momentânea depressão, afinal, está dentro de um café, saboreando uma deliciosa e quentinha broa de queijo, divertindo-se com o sotaque diferente e com o jeitão mineiro de ser, de fala mansa e olhar carinhoso, uma delícia - sô, um aconchego - uai.

 

                 Fabiana Langaro Loos

 

É, literalmente, a expressão tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Passeando pelos corredores ainda dá para encontrar alguns feirantes vendendo abacaxi em fatias, fresquinho e doce, além dos diversos botecos, cheios de pessoas com copos de cerveja nas mãos, aguardando sua carne com cebola e jiló ficar pronta e aí, o cheiro se espalha, incomodando-me um pouco, talvez uma provocação ao lado light da alimentação. Comida mineira é pesada, com sustança e robustez, com jeito de casa de fazenda, que fica no fogo por toda uma manhã, cozinhando vagarosamente e é capaz de conquistar até os paladares mais chatos, como o meu. E nessa confusão de cheiros, diversidade de comidas, multiplicidade de boa gente, vem a minha mente a música de Luiz Gonzaga, “ai, quem me dera voltar pros braços do meu xodó, saudade assim faz doer e amarga que nem jiló”.

 

                 Fabiana Langaro Loos

 

A sábia frase “perder-se também é caminho” de Clarisse Lispector se encaixa perfeitamente ao Mercado Central de BH, com corredores estreitos, nem consigo imaginar como deve ser andar por ali nos finais de semana. Você dá voltas e voltas, parece um labirinto e tudo se torna tão parecido e tão diferente ao mesmo tempo, talvez, um GPS não fosse nada mal, porém, de nada adiantaria, já que eu estava lá exatamente para isso, perder e encontrar, olhar, sentir, despertar a alma e demais sentidos. Sozinha (mas bem longe da solidão), em busca de novos caminhos e novas sensações, com espírito viajante, aberto a qualquer lugar, a qualquer convite, de forma livre e aventureira. 

 

                 Fabiana Langaro Loos

 

A história do Mercado Central não é de agora, acompanha a cidade desde seus 31 anos de fundação. Foi inaugurado no ano de 1929 em um terreno onde barracas de madeira serviam de bancada para cada loja e as carroças que transportavam os produtos à venda permaneciam ao redor do terreno de 14 mil metros quadrados. Infelizmente, em 1962, a cidade quase viu seu fim, pois o prefeito da época alegou a impossibilidade de administração da feira, pretendendo extinguí-la e vender o terreno. Foi aí que os comerciantes criaram uma cooperativa, comprando o imóvel da Prefeitura de Belo Horizonte com a condição de construir, no prazo de cinco anos, um galpão coberto. A luta foi árdua e a cooperativa, para concluir a obra dentro do prazo estipulado, recebeu o apoio do Banco Mercantil do Brasil. Sorte da cidade que, assim, não perdeu um ponto tão pitoresco e tradicional. Sorte para os turistas que, dessa maneira, conseguem sentir melhor a cidade e sua gente, provando a comida típica, conhecendo o artesanato local e degustando seus famosos produtos alimentícios. Ê trem bão esse mercado, é tomá um golim de pincumel e ser feliz!

 

                 Fabiana Langaro Loos

 

 

 





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