Show em São Paulo faz um tour pela discografia completa e deixa o público em estado de pura euforia
Por Gabrielle Navarro
Com todos os holofotes voltados para o palco e a crítica a postos para dichavar repertório, performance, sintonia e estética, Marcelo Camelo, Rodrigo Barba, Bruno Medina e Rodrigo Amarante entram em cena. O primeiro show do Los Hermanos em São Paulo, que aconteceu nessa quinta-feira (10) e é parte da turnê nacional em comemoração aos 15 anos da banda, pode ter deixado os entendedores de plantão com a impressão de uma apresentação sem grandes surpresas, mas fez com que o tempo passasse mais devagar para os fãs que lotaram o Espaço das Américas.
Edson Lopes Jr.
Imersa no coro feito pelo público, ouvido do início ao fim, o show teve destinatário certo: a nação apaixonada em xadrez e barba que fez questão de encher os pulmões e cantar junto cada estrofe. A noite, aberta com 'O vencedor', fez as vezes de um passeio não linear pela discografia do grupo. Em duas horas, foi possível assistir a uma composição inteligente das faixas mais representativas dos discos ‘Los Hermanos’, ‘Bloco do eu sozinho’, ‘Ventura’ e ‘4’. Com picos de rock, sambas à la Camelo e baladas que fazem da banda esse sucesso irrefreável mesmo depois de cinco anos fora dos palcos, o setlist de 22 músicas apaziguou a ansiedade do público a cada início de música, que vinha com gritos e urros histéricos por terem acertado mais uma vez na escolha.
Edson Lopes Jr.
Apesar do calor do público, que compareceu de peito aberto para sofrer de amores a cada refrão, o primeiro cumprimento de Camelo veio somente no término da terceira música, ‘Todo carnaval tem seu fim’. Amarante demorou mais algumas faixas para dizer que aquele show era só alegria, e que “é impossível se acostumar a isso”, se referindo ao entusiasmo latente vindo da plateia. O telão de alta definição posicionado atrás da banda, atravessando o palco de ponta a ponta, também teve papel fundamental para a sintonia entre os músicos e a plateia. Câmeras no topo de cada microfone garantiram imagens em detalhe dos caras, sendo transmitidas simultaneamente no telão.
Edson Lopes Jr.
Com um sucesso após o outro, o show contou com faixas como ‘Retrato pra Iaiá’, ‘Casa pré-fabricada’, ‘A flor’, ‘Sentimental’, ‘A outra’, ‘Cara estranho’, ‘Condicional’, ‘Dois barcos’ e ‘O vento’. O primeiro CD, que nos últimos shows da banda, em 2007, mal apareceu, teve lugar cativo. ‘Tenha dó’, ‘Descoberta’, ‘Azedume’ e ‘Quem sabe’ foram essenciais para que o frio do outono paulistano existisse apenas do lado de fora dos portões. Assim como na apresentação em Recife, também parte da turnê nacional, Amarante tocou uma música inédita que faz parte do seu projeto solo e segue a mesma base densa das suas composições para o álbum ‘4’.
Para encerrar o show, os acordes inconfundíveis do hit pop rock, responsável pelo estouro da banda em 1999, Anna Julia, dominaram as guitarras, causando surpresa e euforia na multidão que preparava para se despedir. Fãs que não ouviam a faixa há anos ainda sabiam a letra e cantaram sem parar, garantindo a diversão dos quatro – que a essa hora dominavam o palco e eram só sorrisos! ‘Pierrot’, também do primeiro álbum, fechou a apresentação. Independente do ritmo da banda, que não é o mesmo nas faixas mais elétricas, o público saiu do Espaço das Américas de alma lavada e o coração em paz. Definitivamente, Los Hermanos tirou o azedume do peito daqueles que sentiam falta de um último abraço.
*Los Hermanos ainda fará mais um show em São Paulo, nessa sexta (11), e seguirá paraPorto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A banda volta para a capital paulista nos dias 31 de maio e 1 de julho e fecham a turnê com mais duas datas no Rio e outra em Porto Alegre.
Paulo Henrique de Moura
Curioso desde pequeno, acredita que quando realmente queremos algo, somos capazes de tudo. Concorda com Clarice Lispector que quando o assunto é escrever não podem haver imposições. Jornalista apaixonado por cultura: da popular a considerada “sofisticada”, de moda a música, de The Killers a Bethânia, de Audrey Hepburn a Sarah Jessica Parker. Estuda Mídia, Informação e Cultura na USP, é professor de Webjornalismo de Moda na Escola Panamericana de Arte e Design, adora redes sociais e não abre mão de um bom livro. Twitta no @paulohmoura
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